Anac quer reativar Cindactas para minimizar crise aérea

No terceiro dia de caos nos aeroportos, autoridades anunciaram medidas que podem minimizar a crise aérea. O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, anunciou nesta quinta-feira que as autoridades aeronáuticas estudam a reativação de centros regionais de controle do espaço aéreo. Ao mesmo tempo, o Comando da Aeronáutica informou que uma central de áudio seria transferida de Campo Grande (MS) para Brasília, para funcionar como uma espécie de reserva, em caso de nova pane nos equipamentos.Segundo Zuanazzi, não se trata de desativar os Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) que hoje existem em Brasília, Curitiba, Manaus e Recife, mas sim de reativar os regionais para que sirvam de apoio aos demais. "Não é uma descentralização do sistema de controle, mas criação de regionais que funcionem como back-ups, como sistemas reservas que possam monitorar os aviões em situações de falhas técnicas nos Cindactas principais", explicou Zuanazzi.Após o anúncio desse estudo de reativação dos centros regionais, alguns empresários da aviação regional - que ouviram a palestra do presidente da Anac durante o 6º. Congresso da Associação Brasileira de Empresas de Transporte Regional (Abetar) - manifestaram preocupação com a idéia. Alguns apontaram como risco a volta de um modelo aposentado há mais de 30 anos em que o principal problema era não ter uma centralização do controle. "Não se trata disso, mas de criar apoios que permitam minimizar o efeito dominó negativo de um colapso em um dos sistemas como ocorreu na última terça-feira", explicou Zuanazzi.Segundo ele, o Cindacta-1, de Brasília, monitora cerca de 80% do tráfego aéreo do País e, com a queda do equipamento de comunicações por rádio na terça, houve uma paralisação de seis horas no sistema que desencadeou atrasos de vôos em todo o País."O efeito dominó é inevitável nessas horas porque a nossa malha aérea é toda integrada e montada com base em conexões", comentou Zuanazzi. "Assim, ter sistemas reservas ajuda a minimizar os problemas", completou. Ele informou que os estudos técnicos para o aparelhamento desses controles regionais estão avançados, mas não fixou data para sua conclusão e colocação em prática. Entre os regionais que podem ser ativados, ele citou Belém, Porto Alegre, São Paulo e Salvador.AeronáuticaA transferência de equipamentos de Campo Grande para Brasília, como informou a Aeronáutica, foi decidida por conta da falha nos rádios do Cindacta-1, na terça-feira. Antes, os equipamentos deveriam seguir para o Mato Grosso do Sul.Na última terça-feira, o governo anunciou a compra de novos equipamentos para funcionarem também como reserva, não só no Cindacta em Brasília, mas também em São Paulo. Essa nova aquisição, no entanto, ainda está sendo estudada e deverá exigir um prazo maior, porque esse tipo de equipamento não tem disponibilidade de aquisição imediata. Técnicos da empresa italiana CITI estão em Brasília, não só para ajudar na investigação no black-out nas comunicações, como acompanhar o funcionamento do sistema.Apesar de haver atrasos registrados ainda em todos os aeroportos do País, a Aeronáutica informa que nesta quinta-feira não há problemas no controle do tráfego aéreo e que o gerenciamento de fluxo que determina o espaçamento de decolagens e pousos estão ocorrendo em função do grande movimento nos aeroportos, ainda como reflexo dos problemas da última terça-feira.

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