Anac sugere medidas para evitar aumento das passagens

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, defendeu nesta quarta-feira medidas para evitar aumento dos preços das passagens que decorreria do remanejamento de vôos no Aeroporto de Congonhas, como já chegou a admitir o governo. Entre as medidas possíveis, Zuanazzi citou a redução do preço dos combustíveis das aeronaves. "Nós queremos que as passagens continuem baratas, não queremos que elas aumentem", afirmou em depoimento à CPI da Crise Aérea na Câmara. O setor de aviação civil vê espaço para redução no preço do querosene, que subiu este ano 0,5 por cento. Chamado a dar satisfações sobre o funcionamento da Anac e questionado sobre a responsabilidade do órgão regulador na segurança dos aeroportos, depois do maior acidente aéreo do país, que deixou cerca de 200 mortos na semana passada, Zuanazzi rebateu as críticas de que cedeu a pressão das companhias para liberar novas rotas. Ele justificou que a liberação de rotas só é feita após ouvir a Infraero e o Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), e insistiu que a Anac tem sido cobrada por decisões que fogem às suas atribuições legais. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) apresentou para discussão na CPI requerimento para que o Ministério da Defesa instaure processo administrativo disciplinar contra Zuanazzi por "omissão ou ineficiência". Se aprovado, esse pedido abre uma alternativa para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demita Zuanazzi, mas ainda não está certo que seja levado à votação. Indicado diretor-presidente da Anac no início de 2006, Zuanazzi tem quatro anos de mandato pela frente. A agência já enfrentou a falência da Varig, o acidente com o avião da Gol há 10 meses e suas repercussões sobre o controle do espaço aéreo, atrasos nos aeroportos e a tragédia com o vôo da TAM . Zuanazzi lembrou que, antes do acidente com o Airbus A320 da TAM, ele já tinha sugerido à CPI que seria necessário construir uma terceira pista no Aeroporto Internacional de Guarulhos, além de um outro aeroporto em São Paulo para desafogar Congonhas. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também deve apresentar um requerimento para que seja feita uma auditoria internacional no sistema aéreo brasileiro. CAIXAS-PRETAS De volta dos EUA, onde acompanhou os trabalhos de extração dos dados das caixas pretas do avião da TAM, o relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), disse que vai apresentar requerimento para que as informações sejam repassadas à comissão o mais rápido possível. Os dados são tratados como sigilosos na investigação conduzida pela Aeronáutica. O brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa --entidade da Aeronáutica responsável pela investigação de acidentes aéreos--, disse esta semana que não concorda com a divulgação das informações. Kersul será ouvido pela CPI na quinta-feira. Nesta tarde, compareceu à audiência o vice-presidente técnico da TAM, Rui Amparo. Ele entregou à comissão uma série de documentos que, segundo a companhia, atestam que o Airbus A320 acidentado tinha plenas condições de vôo. Amparo insistiu que o reversor travado não apresentava risco ao vôo, apesar da recomendação da Anac, segundo os membros da CPI, para uso do equipamento para pouso em pistas molhadas. "O avião estava absolutamente adequado àquelas condições de pouso", afirmou, acrescentando que desconhece a recomendação do manual da Anac. Segundo o manual da fabricante Airbus, repetiu, o reversor poderia estar travado durante o pouso.

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