Anac suspende empresa ligada a filhos de Erenice

Atendendo a recomendação técnica da Controladoria-Geral da União (CGU), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu esta semana, pela segunda vez, a licença de voo da Master Top Linhas Aéreas (MTA), pivô do esquema de tráfico de influência que derrubou a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra, em setembro de 2010.

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2011 | 03h05

A empresa fazia entrega noturna de serviços postais até 2010, quando perdeu o certificado. A MTA, conforme investigações da Polícia Federal, obteve dois contratos com a estatal para operar o correio noturno, um deles sem licitação, no montante de R$ 60 milhões, mediante pagamento de propina a dois filhos da ministra, que teriam montado na Casa Civil um balcão de lobby. Os dois estão indiciados no inquérito por tráfico de influência e corrupção.

O escândalo, revelado às vésperas do primeiro turno presidencial, ajudou a levar a disputa entre Dilma Rousseff e José Serra para o segundo turno.

Em depoimento à PF, o empresário Fábio Baracat, delator do esquema, confirmou que o empresário argentino Alfonso Conrado Rey estava por trás da propriedade da MTA, como revelou o Estado em setembro de 2010. A lei brasileira proíbe que estrangeiros controlem mais de 20% de empresas aéreas.

A reportagem mostrou que o coronel Eduardo Artur Rodrigues, da Aeronáutica, era testa de ferro de Rey no Brasil. A denúncia levou Rodrigues a pedir demissão da direção de Operações dos Correios.

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