Anac tenta contornar colapso de Congonhas

Uma semana após o pior acidente aéreoda história do país, as principais autoridades do setor sereuniram pela primeira vez para prestar esclarecimentosconjuntos sobre as investigações da tragédia e anunciar medidaspara enfrentar o colapso recente no aeroporto de Congonhas. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou asuspensão, por tempo indeterminado, da venda de passagens paravôos que partam de Congonhas e informou que a medida poderá seestender a outros aeroportos "se houver necessidade". A proibição vale a partir de quarta-feira, mas segundo aagência, a Gol e a TAM já suspenderam as vendas. "Estão reservados todos os assentos disponíveis para quemtem bilhete na mão", afirmou o presidente da Anac, MiltonZuanazzi, em sua primeira entrevista coletiva após o acidentecom o vôo 3054 da TAM. Ele disse esperar que até a tarde de quarta-feira asituação nos aeroportos esteja normalizada. A Anac também anunciou que os vôos que decolam e aterrissamem Congonhas deverão passar a ter no máximo duas horas deduração, sem conexões. A medida complementa determinação feita, na sexta-feira,pelo Conselho da Aviação Civil (Conac), para que Congonhaspasse a ser usado apenas para vôos diretos ponto a ponto (que(vai para uma cidade e retorna ao aeroporto de origem). Também em linha com a resolução do Conac, a Anac proibiu osvôos fretados em Congonhas já a partir do próximo fim desemana. Na última terça-feira, um Airbus A320 da TAM vindo de PortoAlegre explodiu ao se chocar com prédios próximos a Congonhas,após pouso fracassado no aeroporto, causando a morte de cercade 200 pessoas. A pista principal do aeroporto foi mantida fechada desde oacidente para o trabalho de perícia. Nos últimos dois dias,fortes chuvas em São Paulo provocaram o fechamento do aeroportopor várias horas, e os pilotos das companhias passaram a evitarCongonhas mesmo quando a pista secundária estava liberada. Como resultado, dezenas de vôos foram cancelados ousofreram atrasos, causando grandes transtornos aos passageirosem Congonhas e também problemas em vários outros aeroportos dopaís.Zuanazzi procurou se defender das críticas de que a Anac teriasido incompetente em lidar com a crise aérea e em adotarmedidas que pudessem ter prevenido o sobrecarregamento deCongonhas. "A Anac tem limites legais... É natural, caso contrárioteria poderes imperiais", afirmou Zuanazzi, argumentando que aagência tem a função de executar determinações do Conac. Eledestacou, ainda, que sua indicação ao cargo de presidente daagência teve o apoio de 27 entidades e também de parlamentaresda oposição. INVESTIGAÇÃO A definição final das novas malhas aéreas a partir dasdeterminações do Conac ficará pronta na próxima semana, afirmouo diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo,major-brigadeiro Ramon Cardoso. A implantação das novas rotas terá de ser feita em um prazode até 60 dias.Cardoso informou, ainda, que a Aeronáutica irá atualizar ossistemas dos aeroportos de Porto Alegre, Curitiba, Guarulhos,Galeão e Brasília com instrumentos que permitem aterrissagens edecolagens com condições reduzidas de visibilidade, os chamadosILS (Instrument Landing System). Serão investidos 2 milhões de dólares para cada aeroporto,e a modernização também exigirá adaptação das aeronaves dascompanhias, disse Cardoso. Também presente à entrevista, o chefe do Cenipa --entidadeda Aeronáutica responsável pela investigação de acidentesaéreos--, brigadeiro Jorge Kersul Filho, confirmou a informaçãode que o Airbus A320 da TAM estava à velocidade de 175 km/h nomomento da colisão contra os prédios. A informação foi dada pelo National Transportation SafetyBoard, entidade que analisa as caixas pretas da aeronave nosEstados Unidos, e já havia sido antecipada por parlamentaresbrasileiros que acompanham os trabalhos da entidade. Kersul não quis avaliar se essa velocidade era menor do quea velocidade que a aeronave tinha ao pousar. "A aeronave estavana velocidade normal de aproximação", afirmou, sem detalharnúmeros. O presidente da Infraero, brigadeiro José CarlosPereira, esclareceu que a velocidade normal, no caso do Airbusacidentado fica entre 110 e 150 nós por hora (entre 203 e 278km/h). Kersul afirmou, ainda, que a investigação do acidente daTAM deverá levar cerca de 10 meses, o que, segundo ele, estáabaixo da média mundial de 18 meses. No momento, de acordo com o brigadeiro, não há evidênciassuficientes para indicar eventuais problemas na pista deCongonhas que possam ter contribuído para o acidente, ou sehouve problemas no sistema de freios da aeronave. "Nenhum acidente aéreo advém de um único fator", afirmou.Kersul acrescentou que a investigação da Aeronáutica nãobuscará apontar nomes dos responsáveis, mas sim detectar o quecontribuiu para o desastre, e que medidas devem ser adotadaspara aumentar a segurança dos vôos.

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