Anac vai colocar inspetores dentro dos aviões

Maiores empresas serão fiscalizadas a partir de hoje, mas Ocean Air terá agentes em 40% da frota

O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 00h00

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deflagrou ontem a Operação Hora Certa para detectar e corrigir falhas das companhias aéreas que provocam atrasos. "O objetivo maior é contribuir para a regularização dos horários da aviação civil", divulgou a assessoria do órgão. Segundo a Anac, a operação contará com esforço integrado de fiscalização na terra e no ar. Quatro companhias aéreas terão seus vôos incluídos na fiscalização extraordinária. Foram selecionadas as empresas com mais de 1% de participação no mercado doméstico brasileiro: TAM, Gol, Varig e Ocean Air. Em terra, os fiscais da Anac atuarão junto às oficinas de manutenção das empresas, na operação de embarque de passageiros e na movimentação de aeronaves no pátio dos aeroportos. "Além disso, inspetores de aeronavegabilidade e de operações da Anac acompanharão vôos das quatro companhias, dentro da cabine dos aviões", informou a nota. Em todos os casos, serão checados os procedimentos operacionais das equipes e tripulações e também a manutenção e correto funcionamento dos equipamentos das companhias em terra e no ar. O órgão destaca que os vôos serão inspecionados por amostragem, sem conhecimento prévio da empresa aérea. A companhia mais fiscalizada será a Ocean Air, devido a seu alto índice de atrasos e cancelamentos de vôos. A Anac destaca que em dezembro de 2007 a empresa teve o pior Índice de Pontualidade entre as quatro maiores companhias aéreas do País. "Além disso, segundo dados da Infraero, nas duas primeiras semanas de janeiro a empresa vem mantendo uma média diária de mais de 40% de vôos com atrasos de mais de 1 hora, bem acima dos indicadores das demais companhias aéreas", informa. Durante a Operação Hora Certa, pelo menos 40% da frota da Ocean Air terá inspetores da Anac a bordo. Para as empresas TAM, Gol e Varig, o número de aeronaves com inspetores acompanhando os vôos será de no mínimo 20%. Fontes do setor dizem que a Ocean Air, a terceira maior empresa em operação, é o alvo a ser atingido pela operação. A empresa do empresário German Efromovich é, ainda, citada por ter absorvido uma frota de Fokker-100, cuja manutenção seria feita , na Colômbia.A revista Forbes divulgou ontem um ranking colocando três do aeroportos brasileiros entre os piores do mundo quanto à pontualidade de seus vôos. O Aeroporto Internacional de Brasília ocupa o 1º lugar; Cumbica é o 3º e Congonhas, o 4º.A Infraero informou, em nota, que não teve acesso aos dados da pesquisa, mas que discorda sobre a responsabilidade pelos atrasos ser atribuída aos aeroportos, quando, na realidade, é um problema das empresas.

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