Anac vai exigir aeronaves extras das companhias aéreas

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, anunciou nesta quinta-feira, 4, que vai ser apresentada uma proposta de resolução exigindo que as empresas aéreas criem planos de contingência para serem acionados quando houver problemas de atraso de vôos. O plano de contingência incluiria, por exemplo, segundo Zuanazzi, aeronaves extras.Ele lembrou que os principais problemas que ocorreram nos últimos meses no setor aéreo foram exatamente por "falta de reserva". "Em todos os pontos do sistema precisa ter reserva. Por exemplo, não tinha reserva de controladores, não tinha reserva de equipamentos, não tinha reserva de aeronaves e o sistema estava muito perto do limite. O que significa que qualquer tipo de problema gera um efeito dominó que precisa de 24 ou 48 horas para que seja resolvido", justificou.A diretora da Anac, Denise Abreu, explicou que o fato de as empresas terem que manter aviões parados, de reserva, não gera custos elevado para as companhias e aumento do preço das passagens aéreas. ?Vamos dar um modelo, e caberá à empresa dizer como vai aplicar, de acordo com a malha, com a capacidade de cada uma?.?As ações na Justiça [devido à crise no final de 2006, com atrasos e cancelamento de vôos] têm um valor pesado, que pode custar mais do que ter um plano de contingência?, argumentou Denise.Durante entrevista na manhã desta quinta-feira, o presidente da Anac chegou a admitir que durante o Natal alguns dos problemas foram excesso de vôos charter e overbooking. Mas insistiu que como o sistema estava no limite qualquer problema desencadearia a crise no setor. "A Agência Nacional não vai deixar de tomar as atitudes que tem de tomar. O setor viveu momentos de dificuldades, mas as expectativas são promissoras. Realizaremos um monitoramento pleno, para não termos novos problemas", disse.Zuanazzi não acredita que os usuários enfrentarão problemas de novos atrasos no retorno das férias, fim de janeiro, no carnaval e nos próximos feriados.Auditoria na TAMDurante café da manhã com a imprensa, Zuanazzi disse que a Anac vai realizar uma auditoria na TAM por 30 dias. Ele também informou que a agência continuará fazendo monitoramento nos sistemas de reservas das empresas para evitar problemas nos aeroportos nos próximos feriados.Segundo ele, a Anac fez uma monitoração no banco de dados de reservas das empresas após o período do Natal para evitar nova crise no feriado de réveillon em todas as empresas do setor, mas agora vai realizar uma auditoria na TAM por 30 dias para verificar o que aconteceu no período do Natal."Vamos sim fazer o que nunca aconteceu, o monitoramento das reservas das empresas", disse ele, explicando que Anac vai ter acesso aos sistemas de reservas das companhias áreas. Toda vez que houver um grande previsão de movimentação nos aeroportos, como no Carnaval, a Anac vai acessar os sistemas para verificar se podem existir problemas. "É monitoramento, não é intervenção", emendou Denise Abreu, diretora da Anac."Monitorar não é intervir. Monitorar é agir preventivamente verificando com o monitorado se existem problemas que podem levar as empresas a infligir a lei", disse Denise. "É uma prevenção", insistiu ela.Milton Zuanazzi explicou que esse sistema não será contínuo. "Isso nós vamos fazer nos momentos de pico", disse o presidente, que classificou como "sucesso" a operação desencadeada na Anac durante o réveillon.OverbookingDados coletados junto à TAM mostram que a empresa, entre os dia 18 e 25 de dezembro operou 4.842 vôos domésticos, dos quais 125 (2,6%) do total apresentaram um nível de reservas acima da capacidade (overbooking), numa proporção que variou de 1% a 7% (média de 4%).Para o período 27 de dezembro a 2 de janeiro, dos 4.194 vôos programados, no primeiro levantamento feito pela equipe, 48 vôos (1,1% do total de vôos) apresentavam overbooking, numa proporção que variou de 3% a 28%. "Após a adoção de medidas corretivas recomendados, objetivando prevenir eventuais transtornos, esse número caiu para 11 vôos, com níveis de overbooking entre 3% e 7%", informou.A equipe da Anac ressalta ainda que não constatou a prática de overbooking no sistema de reservas e vendas da Gol no período e que a Nova Varig deslocou uma aeronave Boeing 737-300 para realizar 25 vôos de contingência, para atender a demanda da TAM. O documento diz que a BRA e OceanAir também acomodaram passageiros da TAM. "A OceanAir relatou que acomodou, até o dia 27 de dezembro, cerca de 500 passageiros da TAM em seus vôos regulares, além da realização de três vôos de fretamento, ocorridos nos dias 22, 23 e 24."Com Agência BrasilMatéria ampliada às 15h44

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2007 | 12h30

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