Analfabetismo é principal índice de exclusão do adolescente

Num país de tantas desigualdades - entre Estados, municípios, bairros, raças e gêneros - o maior desafio é criar um plano nacional e articulado para a adolescência. "Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas", diz o oficial do Unicef Sílvio Kaloustian.O principal índice utilizado para classificar os Estados e municípios no relatório do Unicef foi o analfabetismo de adolescentes. Foi escolhido, segundo a representante Reiko Niimi, porque um adolescente que não sabe ler ou escrever não tem espaço no mundo do trabalho e carrega estigmas que reforçam sua situação de exclusão. Em Alagoas, o índice é de 18%; em Santa Catarina, de 1,3%.Para Reiko, esse tipo de disparidade reflete não só a situação econômica, mas também a educacional e de atitude, agravada pelas taxas de fecundidade. "O desafio, então, não é olhar para a cidade ou campo, centro ou periferia, sul ou norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades."Por causa da diversidade, o relatório prefere falar em "adolescências" brasileiras. "Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente", explica."Temos igualmente um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente."Outro dado destacado no documento foi a maior participação de adolescentes nas eleições de Estados com baixos índices sociais.

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