ANÁLISE-Ampliação de Cumbica e Viracopos seria saída par crise

A redução do tráfego aéreo em Congonhas e a ampliação dos demais aeroportos de São Paulo, de Cumbica e Viracopos, foram apontadas por especialistas como saídas para a atual crise no aeroporto mais movimentado do país. Já a construção de um novo aeroporto em São Paulo, dentro ou próximo da capital, foi avaliada por eles como uma saída custosa, com alto impacto ambiental e que em pouco tempo repetiria Congonhas, cercado de residências e estabelecimentos comerciais. A discussão sobre a viabilidade de Congonhas veio à tona depois do trágico acidente do vôo JJ 3054, envolvendo um Airbus A320 da TAM, que deixou cerca de 190 mortos na última terça-feira. O tenente-brigadeiro Mauro Gandra, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, acredita que as cidades grandes podem ter aeroportos centrais. Prova disso é o London City Airport, em Londres, construído nos anos 1980. "Em Congonhas, é o volume de tráfego o problema", disse Gandra à Reuters. De uma capacidade de 12 milhões de passageiros, Congonhas atingiu no final do ano passado 18 milhões. O local, na zona sul de São Paulo, agrada usuários, mesmo que fiquem mal acomodados; foi absorvido pelas companhias aéreas, que resistem a trocar de área; e é fonte antiga de reclamação dos vizinhos. Ex-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, o brigadeiro afirma que esse fluxo não afeta a segurança dos vôos, mas traz incômodos para passageiros e vizinhança. "Não fizeram as ampliações e agora vêm falar de um novo aeroporto em São Paulo? Imagina", afirmou, ao dizer que uma nova área, além de cara, necessitaria desmatamento, atingindo o meio ambiente. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na quinta-feira que faz parte das considerações do governo a construção de um novo aeroporto em São Paulo. A idéia teria também o apoio da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez afirmação semelhante nesta sexta-feira. O brigadeiro, no entanto, descarta um novo local como solução e sugere a construção de uma terceira pista em Guarulhos (Cumbica), que poderia ser menor, voltada apenas para vôos domésticos, além de mais um terminal no mesmo aeroporto. Com isso, a capacidade passaria de 15 para 22 milhões de passageiros. Essa nova pista está prevista nas obras de infra-estrutura do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Em Viracopos, localizado em Campinas, a cem quilômetros da capital, ele prevê três pistas, frente às duas de hoje e mais um terminal, elevando o atendimento a 2 milhões de passageiros. Sugere ainda uma ligação ferroviária entre os aeroportos, solução mais econômica do que a construção de um novo aeroporto. Professor do departamento de transporte aéreo do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), Claudio Jorge Pinto Alves, afirma que "não necessariamente" São Paulo precisa de um novo aeroporto. "Congonhas necessita agora restringir o número de operações. A quantidade de passageiros está 50 por cento acima de um nível que é apenas teórico", disse o professor. Para ele, a redução de 44 para 36 no número de pousos e decolagens anunciada na quinta-feira pelo presidente da Infraero, José Carlos Pereira, é "uma medida na direção certa e que trará maior segurança". Ainda não foi informada a data para a mudança, e nesta noite o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar, em pronunciamento em rádio e TV, outras medidas para desafogar o fluxo de Congonhas. MEDIDA POLÍTICA Crítico de medidas tomadas no afogadilho, Jorge Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP, avaliou que o governo deu uma "apreciação política" à questão ao anunciar redução no número de vôos em Congonhas. Para ele, o assunto deve ser analisado do ponto de vista técnico. Medeiros aponta ainda interesses privados em uma possível necessidade de construção de um novo aeroporto, vindo de empreiteiras principalmente. Ele recomenda também que o poder público negocie com a comunidade, incluídos aí passageiros e moradores da região do aeroporto, para chegar a uma solução de consenso.

CARMEN MUNARI, REUTERS

20 Julho 2007 | 18h30

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