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Análise: Conflito no Amazonas é reação a monopólio do PCC

'As facções regionais do Norte e do Nordeste se uniram ao Comando Vermelho do Rio para formar uma cartel e importar a própria droga'

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2017 | 03h00

A guerra entre as facções criminosas no País tem uma razão: a reação dos comandos locais e regionais à tentativa do Primeiro Comando da Capital (PCC) de estabelecer seu monopólio no mercado atacadista da droga no Brasil. Essa estratégia dos paulistas começou no fim de 2007. Em 28 de fevereiro de 2008, a Polícia Federal apreendeu em São Paulo com o então tesoureiro do PCC, Wagner Roberto Raposo Olzon, o Fusca, documentos que detalhavam a primeira negociação da facção com traficantes paraguaios, como Carlos Roberto Caballero, o Capilo, e bolivianos para trazer droga ao Brasil.

O processo para dominar as rotas de entrada no País levou, em junho de 2016, ao assassinato do último grande traficante que se opunha aos paulistas no Paraguai: Jorge Rafaat Toumani, o rei da fronteira. O plano do PCC, depois de dominar o atacado e obrigar as demais facções a comprar sua droga, era impor o preço e a qualidade do produto, ao mesmo tempo em que aos poucos aliciava bandidos locais, integrando-os ao PCC para assim dominar também o varejo do negócio.

Ameaçadas nas ruas e nas cadeias pelos bandidos cooptados pelo PCC, as facções regionais do Norte e do Nordeste se uniram ao Comando Vermelho do Rio para formar uma cartel e importar a própria droga. Começava a guerra das facções no País.

 

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