Análise: Evolução é inegável, mas falta política social ousada

Apesar de os dados terem sido contestados, existe evolução. O governo brasileiro questiona a metodologia, pelo fato de o Pnud considerar dados com uma certa defasagem. A diferença, no entanto, é muito pequena, não leva o Brasil para situação muito melhor. O País continuaria com IDH alto, posições melhores no ranking, mas com avanços pequenos. Em relação à expectativa de vida, por exemplo, o Pnud considera 73,9 anos e o Brasil 74,8 anos. Essa melhora não resolve o problema, é mais uma controvérsia metodológica.

Raphael Bicudo, Economista e professor do Mackenzie e da FGV

24 de julho de 2014 | 21h13

A evolução, no entanto, é inegável. O IDH avalia dimensões da qualidade de vida, mas tem outros elementos nos quais o Brasil precisa avançar, como coleta de lixo, saneamento, tratamento de água. O País tem problemas localizados de alta taxa de mortalidade infantil, por exemplo. Existe ainda polêmica dentro do Pnud em relação aos programas de transferência de renda, que precisam de complementos. O economista Amartya Sen, um dos criadores do IDH, questiona o índice para medir a qualidade de vida e lembra que para conquistá-la a pessoa precisa ter acesso a habitação, saúde e educação de boa qualidade, crédito e emprego decente. Por isso, programas de transferência de renda dão melhora limitada e não sustentada. Políticas estruturais teriam nos levado para posição melhor. 

Faltam ações que reduzam a pobreza significativamente, enxergando-a por prisma multidimensional, que não é só renda. Ter renda maior, mas não ter acesso a boa educação, saúde e emprego, é continuar na pobreza. Só renda não permite que tenha futuro melhor. Isso exige políticas sociais mais ousadas, estruturais, que garantam a emancipação das pessoas de fato. 

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