Análise: O latrocínio é o crime que mais interage com o medo da população

O morrer é o absurdo do absurdo, e morrer durante um roubo é o que apavora a população. Não é um crime de rico. Todos correm risco

Renato Sérgio de Lima, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 03h00

Os dados reforçam que a violência ganhou contornos ascendentes no Brasil. Até 2014, tínhamos alguns índices criminais sob controle por causa, principalmente, dos programas de redução da violência implementados em oito Estados. Apesar disso, em um segundo momento, vemos as tentativas de integração entre as polícias serem diluídas. O que se associou a problemas de outros componentes da Justiça criminal, em um momento de crise econômica e político-institucional.

O esforço para estabelecer metas não conseguiu controlar aquele que é o tipo de crime que mais interage com o medo da população, o latrocínio. O morrer é o absurdo do absurdo, e morrer durante um roubo é o que apavora a população. Não é um crime de rico. Todos correm risco.

Há três caminhos para a redução: 1) melhorar a investigação policial para identificar por áreas as quadrilhas que estão atuando, verificando perfis e ajustando o padrão para agir baseado em análise criminal; 2) controle de armas e munições. É preciso tirá-las de circulação como São Paulo fez no início dos anos 2000 com blitze constantes – isso tem de voltar a ser feito; 3) fazer da redução da violência a grande solução para pensar o País. Uma sociedade atemorizada não consegue sair do lugar, pois está paralisada pelo medo.

* É DIRETOR-PRESIDENTE DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

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