Análise: Polícias e economia contribuíram para queda de mortes

Atuação das polícias e das prefeituras melhoraram, mas, sozinhas, não explicam redução

Guaracy Mingardi, É ANALISTA CRIMINAL E MEMBRO DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

26 de junho de 2015 | 00h13

São vários os fatores que vêm contribuindo para a queda expressiva do número de homicídios há pelo menos 15 anos em São Paulo. A Polícia Militar afirma que está trabalhando mais na prevenção dos crimes, a Polícia Civil diz que melhorou as investigações e as prefeituras alegam que estão contribuindo mais para a segurança com o serviço de guardas municipais nas ruas. Nenhum deles está completamente certo, mas todos integram e contribuem para esse cenário.

Nesse período, notamos uma queda homogênea dos homicídios em diferentes zonas da capital e em distintas cidades do interior, razão pela qual não se pode dar confiança à tese de pesquisadores de que membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) estariam ajudando a manter essa paz. Não é isso. Tem de se levar em conta o trabalho das polícias.

Nesse intervalo, foram desenvolvidas investigações focadas em matadores, aqueles que matam costumeiramente e realmente influenciam os dados das estatísticas. Esses caras foram alvo de operações e desapareceram por um tempo. 

Uma coisa que o próprio governo federal fala e também é digna de atenção é que a economia melhorou hoje em relação àquele período e, portanto, há mais emprego. Algumas das situações de homicídios comuns eram os casos banais. O cidadão que brigava no bar, sacava uma arma e matava até sem saber o motivo. Aquele que chegava em casa embriagado, batia e matava a mulher. São situações que acontecem menos hoje e que podem ser atribuídas ao cenário econômico, pelo fato de as pessoas passarem mais tempo trabalhando e menos no bar. Outro ponto de impacto no período foi a Campanha do Desarmamento. Nos primeiros anos, foram recolhidas mais de 150 mil armas. São armas que o criminoso não vai mais levar quando invadir uma casa, por exemplo, o que costuma ser a primeira coisa que eles procuram.

É difícil mensurar o peso de cada um desses fatores na redução dos homicídios. Cada um vai traçar sua teoria e buscar uma sustentação para isso. O importante para este momento é tentar baixar ainda mais esses registros e se manter atento para que a situação não se reverta e, por alguma razão, os casos voltem a subir sem que ninguém saiba explicar o motivo.

O índice de 9,52 homicídios por 100 mil habitantes é considerado bom quando comparado com o de outras cidades brasileiras. É uma taxa boa até mesmo para os parâmetros de alguns países da América Latina, mas não se compara à do Chile ou a de países europeus, sociedades bem mais organizadas. Mas a PM daqui continua matando muito, e isso ainda merece atenção. 

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