REUTERS/Charles Platiau
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Análise: Sem qualidade de vida, se dilui o ganho com a longevidade

Envelhecimento não é um problema; pelo contrário, pode ser considerado um reflexo da democratização da sobrevivência

Ana Maria Malik *, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 03h00

O Brasil é um país muito grande, diverso e com diferenças em relação a muitos outros países. Por exemplo, o fenômeno do envelhecimento populacional, que na Europa e no Japão durou cerca de cem anos, no Brasil ocorreu em 30 anos. O envelhecimento não é um problema; pelo contrário, pode ser considerado um reflexo da democratização da sobrevivência. E sob o ponto de vista da saúde representa a oportunidade de não morrer mais de doenças transmissíveis preveníveis por vacinas e de adoecer (ou manifestar sintomas) de diabetes, hipertensão e outras condições crônicas. 

Se isso reflete uma evolução na forma de cuidar das pessoas e de aumentar sua expectativa de vida, as condições nas quais as pessoas existem precisam ser levadas em consideração. Nesse quesito, nosso país como um todo tem uma dívida a saldar. Mobilidade ou meios de transporte e circulação; moradias inteligentes, redes e infraestrutura de serviços sociais e de saúde fazem toda a diferença para a qualidade de vida de quem chegou a uma idade mais avançada. Essa insuficiência ocorre, embora de maneira desigual, por todo o País. Sem qualidade de vida, o ganho obtido pela longevidade se dilui.

* PROFESSORA DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV) NOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESPECIALIZAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR E DE SISTEMAS DE SAÚDE - CEAHS

 

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