EFE/EPA/Vincenzo Pinto
EFE/EPA/Vincenzo Pinto

Análise: Sinalização é de que ninguém é maior do que a lei canônica

Francisco quer firmar uma Igreja cuja prioridade são os frágeis e pobres, e não aquela que acoberta ou justifica desvios, como foi no passado em relação a esse problema

Fernando Altemeyer Júnior*, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 23h09

Após o encontro, é possível ressaltar pelo menos três indicações expressivas da Igreja (Católica). A primeira delas é a expulsão neste mês do ex-cardeal de Washington, Theodore McCarrick, acusado de abuso sexual de crianças. Sinaliza que ninguém é maior que a lei canônica – do padre da aldeia até o alto escalão – e que o corporativismo não vai pesar. Isso harmoniza a isonomia e dá credibilidade. 

Outro ponto importante, uma busca pessoal do papa Francisco, é fazer com que a mudança não seja só de um episcopado ou de cima para baixo. Por isso, chamou representantes de todo o mundo. Francisco quer firmar uma Igreja cuja prioridade são os frágeis e pobres, e não aquela que acoberta ou justifica desvios, como foi no passado em relação a esse problema.

O terceiro destaque é associar o abuso a Satanás, o que é forte e inédito no discurso teológico. No lugar de praticar o bem, o abusador serve ao demônio, e não a Deus. Deve perder a função clerical. Além disso, Francisco promete ações legais sobre como punir, para não ficar apenas na intenção. A transformação é lenta, mas muito importante. 

* Professor de ciências da religião da PUC-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.