WAGNER SOUZA/ FUTURA PRESS
WAGNER SOUZA/ FUTURA PRESS

Análise: Solução para combater roubos em aeroportos não envolve armas, mas estratégia

Para especialista, ocorrências como a de Viracopos e Cumbica demonstram planejamento dos criminosos e devem ser combatidas com inteligência

José Vicente Filho, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

18 de outubro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Um assalto como o de Viracopos, que teve três suspeitos mortos e três reféns, e o de Cumbica (em julho, quando foram roubados 720 quilos de ouro), ocorre quando há o vazamento de informações estratégicas das empresas envolvidas com a movimentação do dinheiro. As duas ações tiveram planejamento extremamente sofisticado. São criminosos com boa capacidade de organização e de investimento, uma vez que a execução do crime é cara. E, por isso, muitas vezes estão ligados a facções criminosas – que podem financiar a ação. 

É importante que, a partir de situações como essa, as polícias iniciem um estudo de caso para buscar todas as vulnerabilidades que permitiram a ação. É o segundo roubo de grande escala e risco em aeroportos de São Paulo somente no ano. 

Sou contrário ao uso de armas por vigilantes dessas empresas por não acreditar que seja válido arriscar a vida de alguém por uma questão patrimonial. Essas empresas não dão treinamento de tiro e de operações como a polícia. Por isso, as chances de algo sair errado são muito grande. 

O uso de armamento mais pesado também não vai desestimular os criminosos, a única consequência seria a morte de mais pessoas em uma ação. A melhor forma de inibir esse tipo de ação seria adotar a estratégia já muito usada na Europa, o sistema de tinta nos malotes de transporte. Assim como os bancos começaram a fazer no Brasil com o caixas eletrônicos. A solução para esse tipo de crime não é poder de fogo, mas diminuir a possibilidade de os criminosos levarem o dinheiro. 

*JOSÉ VICENTE FILHO É MEMBRO DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA E EX-SECRETÁRIO NACIONAL DE SEGURANÇA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.