Leonardo Morais
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Análise aponta metais pesados no Rio Doce

Prefeito de Baixo Guandu confirmou informação de que há mercúrio, arsênio, ferro e chumbo em concentrações acima das aceitáveis

Luciana Almeida, Especial para O Estado

12 de novembro de 2015 | 21h20

VITÓRIA - O resultado da análise laboratorial das amostras de água coletadas no Rio Doce, em Minas, apontou níveis acima das concentrações aceitáveis de metais pesados como mercúrio, arsênio, ferro e chumbo na lama que escorreu para o rio com o rompimento das barragens em Mariana (MG). O prefeito de Baixo Guandu (ES), Neto Barros (PCdoB), confirmou a informação.

"Para se ter uma ideia, a quantidade de arsênio encontrada na amostra foi de 2,6394 miligramas, sendo que o aceitável é de no máximo 0,01 miligrama", citou.

Ainda segundo o prefeito, são 100 quilômetros de material tóxico descendo pelo rio. "Encontramos praticamente a tabela periódica inteira dentro da água. Quero ver o que o presidente da Vale vai fazer para ajudar todo o povo", disparou.

Desde o rompimento das barragens da Samarco na cidade mineira de Mariana, no último dia 5, especialistas alertam para o impacto provocado pela chegada dos rejeitos ao Rio Doce.

Na parte capixaba do Rio Doce, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) tem coletado, desde segunda-feira, amostras chamadas "brancas", ou seja, em locais que não foram afetados pela onda de lama de rejeitos. A atividade está sendo realizada pelo próprio Instituto, que possui contrato com um laboratório de análises, e o objetivo é produzir contra-análises no futuro.

O material, de acordo com o Iema, foi coletado em Baixo Guandu, Colatina e Linhares, em um total de seis coletas realizadas pelo Iema e cinco pela Samarco. A empresa foi intimada pelo Instituto a realizar monitoramento tanto da água do Rio Doce quanto do mar, e a atividade está sendo acompanhada pela equipe de Fiscalização do Iema.

O recolhimento de amostras foi cessado na última quarta-feira, e as próximas coletas serão realizadas em locais já afetados pela lama após sua chegada ao Espírito Santo.

Esta semana, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Baixo Guandu enviou uma expedição a Minas Gerais para coletar amostras da água que está descendo com a segunda enxurrada, para que novas análises sejam feitas. 

O prefeito de Baixo Guandu disse que os resultados das análise são extremamente preocupantes.  Por conta disso, ele determinou que fosse feito na tarde desta quinta-feira, um bloqueio da estrada de ferro Vitória-Minas (que liga o Espírito Santo à Minas Gerais), para impedir o transporte de minério que passa pelo município. 

"Precisamos de respostas urgentes sobre o problema que atinge toda a região. Não vamos permitir qualquer atividade de mineração. Se não houve mobilização na cidade, as consequências poderão ser ainda mais graves", afirmou.

Por meio de nota, a Samarco afirmou que desconhece o laudo técnico que aponta a presença de metais pesados na lama. "A empresa reforça que o rejeito é classificado como material inerte e não perigoso, conforme norma brasileira de código NBR 10004-04, o que significa que não apresenta riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Proveniente do processo de beneficiamento do minério de ferro, o rejeito é composto basicamente de água, partículas de óxidos de ferro e sílica (quartzo)", diz a nota. 

 

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