João Paulo Bueno
João Paulo Bueno

Analista diz que buscava homônimo de Eduardo Jorge

O servidor da Receita Gilberto Amarante, que confirmou ser filiado ao PT, acredita ter acessado o cadastro do vice-presidente do PSDB por engano

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

O analista tributário da Receita Federal em Formiga (MG), Gilberto Souza Amarante, que acessou em 2009 os dados pessoais de Eduardo Jorge Caldas Pereira, disse ontem que acredita ter acessado o cadastro do vice-presidente do PSDB por engano, ao pesquisar os dados de um "homônimo".

Numa rápida entrevista concedida em um estacionamento atrás do prédio da agência da Receita na cidade do centro-oeste mineiro, Amarante confirmou que é filiado ao PT há nove anos, mas disse que nunca teve militância partidária. Ele negou que tenha tido acesso aos dados fiscais de Eduardo Jorge e sugeriu que fez a consulta cadastral por meio do nome do contribuinte.

"Há vários casos de homônimos (na região) com esse nome Eduardo Jorge. A nossa base (de dados) é nacional. Então, o que é factível é que houve um homônimo e esse acesso durou 41 segundos apenas", alegou. "Pela quantidade de homônimos, é a hipótese mais provável." Para reforçar a argumentação de que não cometeu nenhuma ilegalidade, o analista insistiu que fez o acesso durante o horário do expediente.

Amarante afirmou que somente no fim de semana tomou conhecimento de que em abril do ano passado havia acessado os dados cadastrais do vice-presidente do PSDB. Questionado, disse não se lembrar da motivação da pesquisa.

"O procedimento não exige que se guarde, que se arquive documentação. Isso é feito à vista da pessoa. Então, se a pessoa pede para fazer uma pesquisa no CPF dela ou no nome, é feito dessa forma", observou. "Eu acessei em abril, num dos vários acessos que se faz por dia e tomei conhecimento desse fato através da imprensa." Segundo o analista, o acesso realizado no dia 3 de abril do ano passado foi único, pois quando a pesquisa é feita por nome o sistema registra cada mudança de página como um novo acesso. "Não foram dez acessos", garantiu.

A Superintendência da Receita em Minas informou que o órgão está apurando o episódio na agência em Formiga. Ao Estado, a assessoria de comunicação afirmou que o superintendente Hermano Lemos de Avellar Machado só atenderia a reportagem após uma entrevista convocada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília.

Educação. Sobre sua filiação ao PT, Amarante endossou a declaração do presidente estadual do partido, deputado Reginaldo Lopes, que no domingo havia classificado o analista como um "filiado burocrático", que "não tem vida partidária". "É bom frisar que filiação partidária não se confunde com militância partidária. Nunca tive nenhum tipo de militância partidária", assegurou Amarante.

O analista contou que se filiou ao PT "até por educação", quando foi morar em Arcos, a 30 quilômetros de Formiga, onde é professor do curso de Direito da PUC. "Me chamaram para participar de uma reunião e lá me pediram para eu me filiar. Fui numa reunião, talvez em outra. Nesses nove anos, está assim resumida a minha filiação".

Perguntado sobre quem teria abonado sua ficha partidária, ele disse que não se lembrava. Em relação à pessoa que o teria convidado para ingressar no partido, Amarante citou um ex-dirigente petista na cidade, identificado apenas como Dorinho.

Reginaldo Lopes garantiu que nem o presidente do PT de Arcos, Hideraldo José, conhece Amarante, que afirmou nunca ter feito contribuições para o partido. "Não sei como funciona, sinceramente." O analista também disse que não teme uma eventual expulsão da legenda - promessa dos dirigentes petistas caso fique comprovado que o acesso aos dados de Eduardo Jorge foi imotivado - já que a filiação para ele não tem efeito.

Ele abriu a entrevista dizendo que está "altamente constrangido" com a situação e "indignado" com a forma com que as notícias estão sendo veiculadas. "Por enquanto, eu estou me sentindo muito constrangido e sentindo que os meus direitos também foram violados", afirmou.

Sem querer

GILBERTO SOUZA AMARANTE

ANALISTA TRIBUTÁRIO DA RECEITA FEDERAL EM FORMIGA

"Há vários casos de homônimos com esse nome Eduardo Jorge"

"Eu acessei em abril, num dos vários acessos que se faz por dia e tomei conhecimento desse fato através da imprensa"

"Nunca tive nenhum tipo de militância partidária"

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