Analistas veem vácuo no PMDB paulista

Para cientistas políticos, espaço do ex-governador tende a ser ocupado por Michel Temer ou por Gilberto Kassab

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

Para cientistas políticos ouvidos pelo Estado, a morte de Quércia deixa um vácuo no peemedebismo de São Paulo, que deverá ser preenchido pelo vice-presidente eleito, Michel Temer, ou pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), cuja migração para o PMDB é dada como certa por muitos.

Quércia manteve o controle sobre o PMDB paulista até este ano, quando articulou o apoio do partido no Estado à candidatura de José Serra à Presidência. Com o agravamento de sua doença, porém, muitas lideranças - entre elas, três dos quatro deputados peemedebistas na Assembleia Legislativa - passaram a apoiar a petista Dilma Rousseff.

"O PMDB estava dividido em São Paulo entre o grupo quercista e o grupo do Michel Temer (vice-presidente eleito). A morte de Quércia deixa o maior partido do País sem representante na maior unidade da federação", avaliou Leonardo Barreto, cientista político da Universidade de Brasília (UNB). Para ele, Temer deverá assumir a liderança no Estado, mas terá dificuldade de agregar os grupos quercistas. "Se Gilberto Kassab quiser se colocar como líder regional do partido, precisará se filiar ao PMDB o mais rápido possível, antes que alguém assuma esse papel."

Fila. Para Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas, "não há dúvidas" de que Temer ganhará força na direção estadual do PMDB. Ele aponta, porém, que ainda há lideranças fiéis a Quércia em posição de destaque, como a vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio. "A verdade é que o quercismo continua, só não está claro por meio de quem."

Para Carlos Melo, cientista político do Insper, Quércia, então governador paulista, poderia ter se tornado o presidenciável do PMDB nas eleições de 1989 - e com sucesso.

"Talvez por um cálculo errado, ele respeitou a fila interna e cedeu o lugar para o Ulysses Guimarães. Se tivesse sido o candidato, talvez o Fernando Collor não fosse eleito."

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