Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Anápolis acompanha caso coronavírus com atenção, mas sem alarde

Na cidade, de apenas 360 mil habitantes, a chegada dos brasileiros vindos de Wuhan para cumprir quarentena gera expectativa, mas população não demonstra medo e diz que está disposta a ajudar

André Borges, enviado especial a Anápolis, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 05h00

ANÁPOLIS - O clima de alarmismo que se vê nas redes sociais sobre riscos de uma contaminação em massa de coronavírus pode até se propagar com rapidez pelo mundo virtual, mas ainda não passou pelas portas das casas de Anápolis, município de 360 mil habitantes, localizado a 60 quilômetros de Goiânia (GO).

Nas mesas de bar, no trabalho, nas lojas e praças, o assunto é um só: a chegada dos brasileiros que sairão da cidade chinesa de Wuhan, nascedouro do coronavírus, para pousarem na Base Aérea de Anápolis, neste próximo sábado, 8. Em quartos militares, ficarão em quarentena por 18 dias. Toda movimentação é acompanhada de perto pela população, mas sem alarde.

“Cheguei a ver gente dizendo que iam trazer pessoas com o vírus para serem tratadas aqui, mas não é nada disso. Só virão brasileiros que não apresentam nenhum sintoma do vírus. Além disso, por razão de segurança, ficarão em quarentena”, diz Wederson de Almeida, 26 anos, nascido e criado em Anápolis.

As palavras de Wederson são repetidas por muitos moradores ouvidos pela reportagem do Estado, famílias que vivem no entorno da base área. Em vez de tensão pela chegada dos brasileiros, o que já se vê na cidade é um protocolo rígido da operação em andamento.

Na Base Aérea de Anápolis, militares controlam a chegada de alimentação, equipamentos e materiais que serão usados durante o período de quarentena. Os 25 brasileiros e quatro chineses repatriados ficarão em quartos isolados, mas com apoio constante de equipes e terão que passar por exames médicos diários. Cada um vai utilizar um quarto já existente no prédio que funciona dentro da base aérea.

Fora da base militar, porém, nada muda na rotina da cidade. A prefeitura de Anápolis informou que não haverá operação extraordinária de tráfego ou serviços por causa da chegada dos brasileiros, até porque o grupo fará um pouso direto na base, sem nenhum contato com a cidade.

Cezarina de Jesus, que vive uma casa ao lado do muro de blocos e arame farpado da base aérea, diz que está pronta para ajudar no que for preciso. “Vamos recebê-los. São pessoas como nós, que precisam de apoio”, diz a moradora de 52 anos, nascida em Anápolis.

Na sexta-feira, 7, está prevista uma vistoria no local, antes de receber os brasileiros. A visita técnica deve contar com representantes do governo municipal, estadual e federal. Até o momento, não há nenhum registro confirmado de coronavírus no Brasil, apenas alguns casos suspeitos, com acompanhamento médico constante.

A confiança de que a passagem dos brasileiros repatriados não trará problemas também é relatada por novos moradores da cidade goiana localizada a 140 quilômetros de Brasília. Alizia Flores, de 55, deixou a Venezuela um ano atrás para tentar refazer a vida com sua família em Anápolis.

“Acredito que tudo vai dar certo. Sou da Venezuela e fui acolhida por essa cidade e esse País quando precisei. Hoje estou trabalhando e gosto de viver aqui. Não há razão para ser diferente com o próprio povo brasileiro”, diz. 

 

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