Anastasia aproxima Minas do Planalto

Tucano demonstra ter mais prestígio junto ao governo petista que seu antecessor

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

Os 100 primeiros dias de governo do tucano Antonio Anastasia em Minas foram marcados por uma similaridade muito grande com seu antecessor, o atual senador Aécio Neves (PSDB). E não é só a legenda. Apesar de ser oposição ao governo federal, o atual chefe do Executivo mineiro vem mantendo uma ótima relação com a presidente Dilma Rousseff (PT), assim como Aécio se relacionou bem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos mandatos de ambos.

Mas Anastasia esbanja prestígio junto ao governo petista - até mais que seu antecessor. Após assumir o cargo como governador eleito - já havia comandado o Estado como vice de Aécio após a renúncia do colega e padrinho político -, o tucano foi o primeiro governador a ser recebido em Brasília por Dilma, com quem já se encontrou outras três vezes, duas delas em visitas da presidente a Minas.

Uma das visitas foi no anúncio da construção de uma usina de amônia da Petrobrás e de um gasoduto do Estado (ligando Minas a São Paulo) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, no início de março. A outra visita presidencial ocorreu menos de duas semanas depois, quando Dilma escolheu Belo Horizonte para o lançamento do Rede Cegonha, uma das principais bandeiras de sua campanha. É possível que Dilma volte a Minas no dia 21, quando será homenageada em Ouro Preto pelo governo estadual com a Medalha da Inconfidência.

Nesses 100 dias de governo, Anastasia recebeu em audiências oficiais, além da presidente, cinco ministros do governo petista: José Eduardo Cardozo (Justiça), Orlando Silva (Esporte), Fernando Bezerra (Integração Nacional), Ideli Salvatti (Pesca) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Mas o governador minimiza o prestígio e atribui a atenção a Minas pelo fato de Dilma ter nascido no Estado.

"Há dedicação especial da presidente porque é o Estado natal dela", disse Anastasia ao Estado. "E o reconhecimento ao esforço para a qualidade da saúde", emendou, referindo-se à escolha de Minas para o lançamento do programa destinado à saúde de gestantes e crianças.

A oposição critica a aproximação do tucano com o governo federal. "O Estado precisa dos recursos da União", observa um dos deputados do bloco de oposição na Assembleia Legislativa, formado por PT, PMDB, PCdoB e PRB. "Manter a aparência de que está tudo bem e funcionando é essencial para o projeto deles (tucanos) de lançar o Aécio (Neves) para presidente."

A troca de afagos com o governo federal incomoda a oposição. Já no início da gestão, um o governador alterou a estrutura da administração pública, com a criação de 3 secretarias, 11 subsecretarias e 3 secretarias extraordinárias, além de 1.314 cargos comissionados até 2014. Para a oposição, as medidas aumentam em R$ 3,1 milhões por ano a despesa com pessoal. Cálculo que o governo não admite.

"O que marca os 100 dias de governo é subjetivo. O que nos caracteriza mais é a fidelidade ao programa de governo nos programas sociais que estamos lançando e a geração de empregos. Vai ser a marca de todo meu governo", afirma Anastasia ao fazer um balanço dos primeiros 100 dias de sua administração.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.