Anchieta não terá mais protestos, garante Alckmin

O governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), garantiu hoje aos motoristas que trafegarem pelo Sistema Anchieta-Imigrantes que eles não vão mais enfrentar transtornos, como o de ocorrido ontem à noite, quando um grupo de 400 moradores do bairro-Cota 200, em Cubatão, realizaram um protesto. Quem estava dirigindo em direção ao litoral ficou parado no congestionamento de mais de 20 quilômetros - muita gente teve de enfrentar um arrastão.Alckmin classificou o episódio como "descabido" e disse que a polícia está instruída para acabar com qualquer tipo de protesto que atrapalhe o tráfego nas estradas paulistas. Os manifestantes interditaram as pistas Norte e Sul da Rodovia Anchieta alternadamente, na altura do quilômetro 50.Os moradores querem acabar com o esquema 4 por 3 implantado pela concessionária Ecovias, em que as duas pistas da Anchieta são utilizadas para a descida dos veículos e a subida é feita apenas pela Rodovia dos Imigrantes. Alegam que isso os impede de chegar em casa. Eles também protestam contra um projeto da Secretaria do Estado do Meio Ambiente que pretende remover os barracos da região.A confusão, que levou quase cinco horas para ser contornada, causou muitos transtornos para os motoristas que estavam no local. Além de enfrentarem trânsito ruim por mais de 20 quilômetros, alguns foram vítimas de assaltos e arrastões enquanto estavam presos no congestionamento. Muitos desistiram de esperar e voltaram para São Paulo. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada e houve confronto com moradores. Somente às 23h30 a situação foi controlada e as pistas, liberadas."Não entendo o motivo dessa manifestação agora, se a operação descida 4 por 3 existe há mais de oito anos", disse Alckmin. "A população não pode se tornar refém de um pequeno grupo de pessoas, por mais legítima que seja a causa da manifestação das mesmas. Não vamos deixar que isso aconteça novamente."ReforçoO governador garantiu que vai reforçar o policiamento na região, principalmente nos próximos meses, em que o tráfego rumo ao litoral fica mais intenso, por causa do verão e das férias escolares. "A polícia está orientada a retirar da pista qualquer manifestação que prejudique o tráfego", disse Alckmin. "Já estamos providenciando o reforço policial necessário nessas estradas."Alguns motoristas parados no trânsito observaram, na mão de vendedores ambulantes, panfletos convocando os moradores da região para a manifestação, que começaria às 18h. Alckmin garantiu que a polícia e as autoridades não tinham conhecimento dessa convocação. O governador afirmou que reuniões estão sendo feitas com os moradores da região e com representantes da Ecovias para solucionar a questão. "Tivemos uma reunião ontem e vamos ter uma amanhã com representantes dos moradores. Nesta semana devemos acertar tudo. Nós queremos facilitar a vida dos motoristas com essa operação 4 por 3, não dificultar", explicou Alckmin. "Nossa intenção é tornar o processo de descida para o litoral o mais tranqüilo possível. É por isso que estamos trabalhando.""Era liberar o trânsito ou cuidar dos assaltos"O comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Alberto Silveira Rodrigues, disse hoje que a polícia não podia fazer duas coisas ao mesmo tempo. "Nós tínhamos de escolher entre liberar o trânsito o mais rápido possível e cuidar dos assaltos. A opção que nós fizemos, com o efetivo que nós tínhamos, foi liberar o trânsito."O coronel Rodrigues negou que os assaltos nas estradas que ligam a capital à Baixada Santista sejam algo comum. Segundo ele, a ação dos marginais foi apenas facilitada pela manifestação. "Eles planejaram essa manifestação para dificultar o acesso da polícia. Fizeram tudo num funil e conseguiram o que queriam: chamar a atenção da imprensa", afirmou.O comandante-geral da PM mostrou estar indignado com o fato de, mais uma vez, a polícia ter de "pagar o pato". "Ninguém deveria morar na serra. Esses moradores estão em local inadequado, de alto risco. Se a Ecovias dimensionasse melhor o tráfego não haveria esse tipo de problema e nós poderíamos fazer o que é de nossa responsabilidade."Rodrigues garantiu que o comando da polícia não foi informado previamente de nada e afirmou que vai procurar saber se houve alguma falha no sistema de comunicação. Segundo ele, foram deslocados para a área do conflito 120 policiais de Mongaguá, Itanhaém e Bertioga. Sessenta homens da Tropa de Choque desceram a serra pela nova pista da Imigrantes, ainda não inaugurada, mas quando chegaram ao local, a situação já estava resolvida.Briga PolíticaO presidente da Ecovias, Irineu Meireles, avaliou a manifestação como sendo uma briga "política" entre moradores dos bairros Cota. "A população toda de São Paulo quer a operação 4x3 e os moradores de Santos também. Nós ficamos reféns dos bairros Cota." AmeaçaOs moradores, no entanto, garantem que, se suas reivindicações não forem ouvidas até a data da inauguração da segunda pista da Imigrantes, farão outra manifestação, subindo a rodovia a pé para falar com o governador Geraldo Alckmin. Eles acreditam que ele desconhece a "omissão da Ecovias".Eles estão revoltados com o que chamam de "falta de diálogo com a Ecovias" para tentar resolver o problema de acesso ao bairro nos períodos em que é necessária a utilização da operação 4x3. Os moradores dizem que se sentem isolados por serem obrigados a transitar pela estrada de serviço, fato que, segundo eles, impossibilita a remoção de pacientes em ambulâncias, em casos de emergência.De acordo com o líder comunitário Francisco Leite da Silva, o "Bigode", o diretor de Operações da Ecovias, Hamilton Amadeu, foi convidado para uma reunião na sexta-feira, para tratar da operação 7x3 - que vai ser usada com a nova pista da Imigrantes - e discutir a questão dos ambulantes, que estão proibidos de vender na pista. Como ele não apareceu no horário marcado, um grupo de moradores decidiu bloquear a estrada.Silva e os moradores tinham a esperança de que, com a segunda pista, as pessoas deixariam de ficar ilhadas no bairro. "Muito pelo contrário, a situação vai piorar porque já divulgaram que, com a operação 7x3, não será mais permitido o acesso à estrada de serviço pela balança da Imigrantes, e, sim, pelo TA-14, túnel que fica mais distante."

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