Andinho é denunciado pelo assassinato de prefeito de Campinas

O Ministério Público denunciou nesta segunda-feira à Justiça Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como co-autor do assassinato do prefeito de Campinas (SP) Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT. A acusação foi formalizada nove meses após a morte do prefeito, com um tiro de uma pistola nove milímetros. Também foram denunciados Anderson José Bastos, o Anso; Valmir Conti, o Valmirzinho; e Valdecir de Souza Moura, o Fiinho´, que morreram em confrontos com a polícia. A conclusão do inquérito foi encaminhada há duas semanas ao MP.Nos próximos dez dias, a Justiça decide se recebe a denúncia, para dar início ao julgamento. Os quatro são acusados ainda de duas tentativas de latrocínio contra os dois ocupantes de um carro, alguns minutos antes da morte de Toninho. O motorista conseguiu fugir, mas teve o carro atingido por tiros de uma pistola calibre 45. Ele foi abordado por um carro, o mesmo que passou ao lado do carro do prefeito no momento do crime, como afirmaram testemunhas.O carro foi abandonado próximo ao local do crime e era ocupado por Andinho e os outros três denunciados, segundo a promotoria. A perícia descobriu que ele tinha vestígios de tinta verde do carro abordado antes do assassinato.Ao acatar a conclusão do inquérito, em que os quatro seqüestradores são denunciados, os promotores públicos de Campinas decidiram pedir a abertura de outros dois inquéritos. A promotoria quer que seja apurado o motivo da confissão de três rapazes, que assumiram o crime cerca de um mês depois do crime.Os promotores também irão pedir que sejam investigados os policiais de Campinas que participaram da primeira fase do inquérito, quando ainda estava sob responsabilidade da Delegacia Seccional da cidade. Em dezembro, o caso foi transferido para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo.Segundo os promotores Fernando Vianna, Alexandre Wild, Ricardo Silvares e Carlos Ayres, a polícia de Campinas omitiu testemunhas, que não foram ouvidas na primeira fase do inquérito.A principal prova contra Andinho e sua quadrilha são os exames de balística que confirmam que a arma usada para matar o prefeito foi a mesma utilizada em um seqüestro cometido pelos quatro acusados, e confessado por Andinho, ocorrido quatro dias após o assassinato. No seqüestro também foram encontradas cápsulas de uma outra arma, a pistola 45 usada pelos homens que abordaram o carro.O depoimento de Cristiano Nascimento de Faria, comparsa de Andinho, que revelou ter sido o bando responsável pela morte do prefeito, também será usado como prova, disse Fernando Vianna. Faria afirmou que os tiros partiram da arma de Anso.Os promotores citaram ainda o depoimento de uma mulher seqüestrada que disse ter ouvido, no cativeiro, os seqüestradores comentando que tinham "feito uma burrada" ao matar o prefeito. Andinho também confessou o seqüestro dessa mulher. "As provas são robustas. Temos convicção de que o desenrolar dos fatos foi esse", afirmou Wild.Os promotores reconheceram, porém, que a motivação do crime não está esclarecida. "A motivação é um fato secundário e não impede que se processe e condene alguém", argumentou Wild. Segundo a promotoria, o caso poderia ter sido resolvido antes não fosse a omissão de testemunhas e a confissão de três suspeitos.O prefeito de Campinas foi morto em 10 de setembro, atingido por um dos três tiros disparados pelo assassino. As investigações se voltaram para o carro abandonado próximo ao local do crime. Três semanas depois, a polícia de Campinas prendeu Anderson Davi, que confessou o assassinato e apontou outros três envolvidos, que estariam em duas motocicletas.Uma semana depois, foram detidos Flávio Mendes Claro e o menor A.S.C., que também confessaram, contando uma história parecida com a de Davi, que teriam abordado o prefeito sobre motos para assaltá-lo e acabaram atirando. Claro disse ter sido o autor dos disparos. O último detido, Globerson da Silva, negou tudo. Depois disso, os outros três voltaram atrás e também negaram.Dois meses depois, após a entrada de uma equipe do DHPP para colaborar no caso, os três detidos foram soltos por falta de provas e o menor permaneceu preso por outros crimes. Em janeiro, o inquérito passou das mãos da polícia de Campinas para o DHPP. Foi quando se intensificaram as investigações sobre o carro e seus ocupantes.O delegado responsável, Luiz Fernando Teixeira Lopes, chegou a ouvir 150 depoimentos e concluiu que os autores do assassinato foram Andinho e seus três comparsas.

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