Andreas von Richthofen contradiz depoimento de Suzane

Em interrogatório que já dura pouco mais de uma hora, Andreas von Richthofen, irmão mais novo de Suzane, ré confessa do assassinato dos pais, contradisse uma das declarações dadas por sua irmã nesta segunda-feira, 17, no 1.º Tribunal do Júri da Barra Funda. A principal contradição apresentada por Andreas é a respeito da pistola encontrada em junho do ano passado dentro de um urso de pelúcia da irmã. De acordo com a versão de Andreas, a arma teria sido trazida por Daniel e Suzane a teria escondido dentro do brinquedo. Suzane, no entanto, afirmou ontem em seu depoimento que a arma era de Andreas, que a usava para caçar.Andreas também frisou por diversas vezes que o relacionamento da jovem com os pais era bom. Ele disse também que, no começo do relacionamento de Suzane e Daniel, havia a aprovação dos pais e que o casal Richthofen só teria se oposto ao namoro após descobrir que Daniel teria apresentado maconha a Suzane.AcareaçãoApós o interrogatório das testemunhas, será feita a acareação entre Daniel e Suzane, cujos depoimentos foram contraditórios na segunda-feira, 17. Há ainda a previsão da leitura das peças do processo, se houver tempo.O promotor Nadir Campos Junior queria o depoimento das testemunhas antes da leitura das peças do processo, pois, para ele, as testemunhas estavam muito cansadas e que a inversão da ordem dos procedimentos seria melhor. O promotor não soube dizer ao certo quantas testemunhas irão falar, de fato, no plenário, já que algumas já foram dispensadas e outras também poderão sê-lo. Relato frioSobre o depoimento de ontem de Suzane, o promotor Roberto Tardelli disse que ficou estarrecido com o "relato extremamente frio" da jovem. "Parecia que não dizia respeito a ela. Impressionante a forma como se desliga da família", afirmou. O promotor reparou que, em seu relato, Suzane não se referiu à casa dos pais em nenhum momento como tal - falava sempre "minha casa, minha chácara". Considerou também que é "aterrador" o réu estudar o próprio processo. "Nunca vi disso", comentou.Tardelli encontrou 14 ou 15 contradições no depoimento dos 3 réus. Ele apontou que mudar a tese no dia do júri, como fez Christian ontem, ao negar que tenha golpeado Marísia von Richthofen, é "temerário". VômitoCampos insinuou que Suzane vomitou, ontem, propositalmente, para sujar as roupas que vestia. Ela passou mal duas vezes, por volta de meio-dia, e, ao vomitar, num banheiro, sujou a blusa e a calça que vestia.Para o promotor, ela pode ter sido orientada por seus advogados a agir assim para que tivesse de trocar de roupa. "O júri julga de forma diferente pessoas que estão com roupas comuns e com roupas de preso. Se ela troca de roupa e os dois outros réus não, isso pode influenciar na decisão do leigo", afirmou o promotor. Para evitar que isso acontecesse, os irmãos Cravinhos também trocaram de roupa, informou Campos Junior. Ele afirmou que os advogados de Suzane já haviam levado uma muda de roupa numa sacola para que ela mudasse.ContradiçõesEm seus interrogatórios, os três réus entraram em contradição. Daniel Cravinhos inocentou seu irmão, Christian, dizendo que matou sozinho o casal Richthofen. Christian repetiu a versão do irmão, dizendo que apenas confessou o crime para protegê-lo. Suzane, por outro lado, se defendeu das acusações de Daniel, segundo quem ela teria fumado maconha antes de conhecê-lo e não era mais virgem. Suzane rebateu as declarações, dizendo que apenas conheceu as drogas após começar o namoro com Daniel.CrimeSuzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.

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