Anel Viário de Campinas será inaugurado após 30 anos

Com mais de 30 anos de atraso, será inaugurado, na quarta-feira, os 11 quilômetros finais do Anel Viário de Campinas, no interior de São Paulo, rebatizado como Anel Viário Magalhães Teixeira. Os primeiros 18 quilômetros da obra, idealizada pelo engenheiro Lineo Pires Véspoli, foram concluídos em 1971.O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que fará a inauguração, considera o empreendimento "tão importante para Campinas quanto o Rodoanel para a Grande São Paulo". Diariamente, pelo menos 2 mil caminhões e carretas deixarão de circular pela área urbana. A segunda metade do complexo custou R$ 62 milhões. Por três décadas, o projeto foi, seguidamente, retomado e abandonado. Transformou-se em exemplo dos descaminhos do planejamento urbano no País, citado nos cursos de Administração Pública Municipal da Fundação Hilário Torloni.O projeto de Véspoli mostrou-se avançado. "Ele projetou o crescimento da cidade em círculos concêntricos, modelo que seria adotado décadas depois", diz o diretor de Trânsito da Secretaria de Transportes da prefeitura de Campinas, Robert Nay. O desenho incorporava amplas áreas de domínio da estrada, o que o Brasil só viria a conhecer nos anos 80. "Basta comparar a antiga Via Anhangüera com a moderna D. Pedro I."Diretor-regional do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), Véspoli responsabilizou-se pela execução dos 18 quilômetros da primeira fase. A segunda etapa deveria ser iniciada em 1972, mas foi adiada por causa de dois fatores: dificuldade de desapropriar uma área do Ministério do Exército e crônica falta de recursos.Ex-prefeito de Campinas (1973 a 1978 e 1996 a 2000), Francisco Amaral (PMDB) lembra que o governo enviou mais de cem ofícios para autoridades de todas as instâncias, com pedidos de retomada das obras do Anel Viário. Quando Paulo Maluf (PPB) governou o Estado, de 1978 a 1982, o reinício do trabalho foi, repetidas vezes, anunciado. Com a mesma freqüência, a retomada era adiada e caía no vazio. Na época, a história tornou-se lendária. Um dos trechos da estrada deveria passar bem no meio da fazenda com os haras do 2.º Exército. Em plena transição do governo do ex-presidente Ernesto Geisel para o de João Baptista Figueiredo, assuntos que envolvessem a área militar deveriam ser tratados com reserva. Mais tarde, em 1992, quando se retomou, efetivamente, a obra, o então governador Luís Antônio Fleury Filho, hoje, deputado pelo PTB, não enfrentou restrições. "Foi uma negociação tranqüila."A iniciativa, porém, não durou. Depois de quase um ano, com obras de terraplenagem e estruturas prontas para nove das 25 pontes e viadutos concluídas, o rodoanel foi, mais uma, vez abandonado. "Com o Plano Collor, a arrecadação do Estado caiu de cerca de US$ 800 milhões por mês para US$ 500 milhões", lembra Fleury Filho. Em abril de 1999, depois de seis anos, com os trabalhos de terraplenagem destruídos pela erosão, o secretário dos Transportes do Estado na gestão do ex-governador Mário Covas, Michael Paul Zeitlin, anunciou que as obras seriam retomadas."A conclusão do anel viário, certamente, valoriza propriedades ao redor das pistas, mas vai mudar pouco o perfil de ocupação urbana dessas áreas", afirma o arquiteto Welton Nahas Curi, diretor da Associação das Empresas do Setor Imobiliário e da Habitação de Campinas e Região (Habicamp).Ele ressalta que parte da área, diante da expectativa de conclusão da obra, foi ocupada desde meados da década de 90. "A região já havia entrado na área de influência de São Paulo e, agora, deverão surgir novos condomínios verticais nas áreas desocupadas", avalia.O novo trecho do Anel Viário liga a Rodovia D. Pedro I, na altura do quilômetro 128 ao quilômetro 82 da Anhangüera. A primeira parte do anel, de 18 quilômetros, foi incorporada à D. Pedro I e a Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo anuncia que deverá concluir, até julho, a reestruturação de todo o trajeto."Assim, completa-se a ligação rodoviária entre as regiões leste e sul da cidade", afirma o diretor de Transportes da prefeitura de Campinas, Robert Nay. O fluxo de carros no local, de acordo com a empresa Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa), é de mais de 60 mil por dia. "Agora, o tráfego da D. Pedro I, utilizada por motoristas que vêm de São Paulo e deixam a Anhangüera ou a Bandeirantes antes do pedágio, também vai ser desafogado."O custo da obra, de responsabilidade da Dersa e executada pela Construtora Cowan, foi anunciado pelo ex-governador Mário Covas como resultado de grande negociação: R$ 62 milhões, 20% menos do que o custo previsto no governo Luís Antônio Fleury Filho. "Só isso?", perguntou hoje o deputado federal. "No meu governo, a inflação, que chegava a 30% ao mês, era embutida no custo."

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