Aner vê ataques de Lula à mídia com 'preocupação'

Associação Nacional dos Editores de Revistas diz que críticas do presidente são uma amostra do que pode acontecer num eventual governo Dilma

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Roberto Muylaert, disse ver com "extrema preocupação" as críticas feitas à imprensa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, durante comício em Campinas.

"Vemos isso como um prelúdio, uma amostra do que pode acontecer no próximo governo em termos de liberdades democráticas, já que a liberdade de imprensa é a grande garantia de todas as demais", disse Muylaert, referindo-se a um eventual governo de Dilma Rousseff (PT).

No sábado, em evento de campanha de Dilma, Lula disse que alguns jornais e revistas se comportam como partido político. "Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político", declarou.

Para o dirigente da Aner, as manifestações de Lula vão além dos "excessos de toda natureza" que são esperados em uma corrida eleitoral. "Aparentemente, a popularidade crescente do presidente da República está fazendo com que ele perca qualquer tipo de autocensura."

O ataque do presidente coincidiu com um uma série de reportagens a respeito de tráfico de influência e irregularidades praticadas por funcionários ligados à Casa Civil. "Existe uma revista que não lembro o nome dela (sic). Ela destila ódio e mentira", afirmou Lula, em referência indireta à revista Veja.

No discurso, o presidente afirmou ainda que "eles não se conformam" com o suposto fato de que "o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública". "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos."

A Aner se uniu a outras entidades que já haviam criticado as manifestações de Lula no fim de semana.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, definiu a atitude como "um desserviço à Constituição e ao Brasil".

Em nota, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) considerou "lamentável e preocupante que o presidente da República se aproxime do final de seu segundo mandato manifestando desconhecimento em relação ao papel da imprensa nas sociedades democráticas".

Sem autocensura

ROBERTO MUYLAERT

PRESIDENTE DA ANER

"A popularidade do presidente está fazendo com que ele perca qualquer tipo de autocensura"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.