Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Angra espera mais de 500 mil turistas até o carnaval

Turismo do município está apreensivo sobre o impacto que deslizamentos causem nas receitas

Agência Brasil,

08 Janeiro 2010 | 09h03

O  município de Angra dos Reis - onde 52 pessoas morreram soterradas, em consequência das chuvas, no primeiro dia do ano - busca recuperar a confiança em um setor considerado vital para a economia da cidade: o do turismo. A atividade, segundo dados a que a Agência Brasil teve acesso, é responsável pela geração de 7 mil empregos diretos e por receitas que chegam a R$ 90 milhões por mês.

 

Os dados da Fundação de Turismo de Angra (TurisAngra) indicam que são esperados, até o carnaval, mais de 500 mil turistas que deixarão na cidade mais de R$ 131 milhões.

 

O inventário turístico de Angra dos Reis, feito pelo Instituto Idéias a pedido da TurisAngra, indica que o gasto médio do turista que visita a cidade é de R$ 249,87 por dia. "Se considerarmos que Angra tem aproximadamente 7.500 leitos, que o turista que se hospeda em hotéis, pousadas, albergues e campings corresponde a 62,61% e que outros 37,39% ficam em casas de temporada, casa própria ou de parentes e amigos, podemos estimar como total de ocupação quase 12 mil turistas por dia, o que daria uma entrada de recursos na economia local da ordem de quase R$ 3 milhões por dia", prevê o instituto.

 

Os dados se referem ainda aos veranistas, que gastam em média mais de R$ 1,5 mil mensal na manutenção de suas casas. "Multiplicado por 7.863 propriedades, chegamos a um total estimado de R$ 12,4 milhões por mês. Levando ainda em conta uma ocupação de 50% das moradias em um fim de semana, de sexta-feira a domingo, com quatro pessoas em cada uma das casas, o gasto médio total chega a R$ 4,7 milhões.

 

Setor turístico de Angra ainda não tem como contabilizar perdas

 

Embora ainda não tenha como precisar o real impacto da tragédia do último dia 1º sobre a atividade, quando a chuva causou a morte de pelo menos 52 pessoas (duas ainda continuam desaparecidas), o setor turístico do município do litoral sul fluminense está apreensivo sobre a perda de receita decorrente da repercussão negativa das notícias.

 

Essa preocupação levou a Fundação de Turismo de Angra dos Reis (TurisAngra) a promover, ontem (7), um encontro com os representantes do setor na cidade para traçar estratégias que ajudem a defender o segmento.

 

O presidente da TurisAngra, Marcos Vinicius Barbosa, disse que está havendo uma "retração natural" na ocupação de pousadas e hotéis da cidade. Segundo ele, isso aconteceria naturalmente, uma vez que os pacotes são fechados para o réveillon e se estendem até o final de semana, o que leva a primeira semana de janeiro a registrar sempre queda na atividade na região.

 

"O  que eu posso dizer é que não temos dados precisos ainda para mensurar o impacto da tragédia, do ponto de vista financeiro. O que há nesse momento é uma expectativa em função das notícias que são publicadas pela mídia, dando conta de que Angra dos Reis vive uma calamidade.

 

Segundo ele, isso não acontece, já que o município tem cinco corredores turísticos:Ponta Sul, Ponta Leste, Centro, Ilha Grande e Contorno. Existem na Ilha Grande 106 praias, 146 meios de hospedagem. A tragédia atingiu apenas a praia do Bananal, onde 31 pessoas morreram, uma continua desaparecida e uma pousada e várias casas foram destruídas pela avalanche de lama e pedra que rolou montanha a baixo.

 

Barbosa explicou que a TurisAngra ainda está fazendo um levantamento sobre a ocupação das pousadas comparativamente aos períodos semelhantes de anos anteriores, o número de desistências e os prejuízos decorrentes disso. Ele disse que desconhece informações de cancelamento de reservas, mas admite que o turista está preocupado.

 

"O que está acontecendo é que há muitas pessoas ligando para saber as reais condições da cidade, de transporte e de comunicação e, na medida em que elas são informadas de que tudo está funcionando, a gente vai aos poucos recuperando esses Turistas".

 

Ele admitiu, porém, que negar os prejuízos também seria mentira. "Há prejuízo, mas nesse momento ainda é prematuro avaliar. Acredito que ainda em janeiro começaremos a retomar o movimento normal do turismo na cidade.

 

O presidente da TurisAngra admitiu que existe "uma certa apreensão" dos donos de pousadas e de pessoas ligadas ao setor, mas ainda não se trabalha com números.

 

"A partir dessa reunião eu solicitei um relatório sobre a ocupação das pousadas e o número de cancelamentos. A partir deles é que nós poderemos mensurar as consequências econômicas da tragédia. O que há hoje é muita especulação, nada de concreto.

 

Ele admitiu que há cancelamentos, mas disse que seria irresponsável especular sobre o número. O que há é uma preocupação natural do setor, uma vez que nós recebemos diariamente em torno de 11.900 turistas que gastam em torno de R$ 249 por dia, o que injeta na economia local algo em torno de R$ 3 milhões diários, ou R$ 90 milhões por mês. É uma indústria que gera 7 mil empregos diretos.

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