Anistia faz apelo à UE para discutir violência no Brasil

Governo português, que preside UE, se compromete a discutir violência no País

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h29

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional lançou um apelo ao governo português nesta terça-feira, 3, para que use a sua influência e discuta a questão dos direitos humanos com as autoridades do Brasil. Portugal assumiu a presidência rotativa da União Européia na semana passada e coordena na quarta-feira, 4, o seu primeiro encontro de cúpula como líder do bloco - justamente a cúpula entre a União Européia e o Brasil, que será realizada em Lisboa. O governo português se comprometeu a discutir a questão de direitos humanos em todas as reuniões do bloco, durante os seis meses em que ocupará a presidência e, por causa da proximidade com o Brasil, a Anistia Internacional espera que o primeiro assunto em pauta seja a violência brasileira. Na quarta-feira, 27, 19 pessoas morreram e nove ficaram feridas em uma operação da polícia do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão, e a ONG atribui as mortes também à negligência do governo com as comunidades mais pobres. "Elas estão encurraladas entre a violência dos grupos criminosos e a brutalidade de polícia. O "Caveirão" (apelido dado às viaturas do Batalhão de Operações Especiais da polícia carioca, o Bope) ainda é um poderoso símbolo do fracasso das políticas de segurança pública no Rio de Janeiro", diz uma nota da Anistia. Legislação antiterror Embora elogie a iniciativa do governo federal de criar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), a organização "lamenta a aparente falta de vontade política de implementar" o sistema, principalmente no que tange a falta de financiamento. A ONG criticou ainda "as tentativas de igualar crime organizado a terrorismo e as tentativas de introduzir nova legislação antiterror". "Ignorar as causas do problema: pobreza, exclusão social, corrupção e um sistema judiciário falho não vai fornecer soluções de longo prazo e vai apenas agravar a situação", disse Dick Oosting, diretor da Anistia na Europa. O ativista acrescentou que, ao passo que a influência do Brasil cresce no cenário internacional, "também cresce a responsabilidade do governo brasileiro de defender os direitos humanos internacionalmente, regionalmente e acima de tudo, em casa". Na semana passada , a Anistia Internacional classificou a megaoperação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, como "violenta e caótica".

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