Anistia Internacional critica 'policiamento linha dura' no Rio

Relatório cita operações policiais que causaram mortes, em especial duas que tiveram 20 vítimas

Agência Brasil,

28 de maio de 2009 | 11h54

A polícia do Rio de Janeiro foi criticada pela Anistia Internacional, em seu relatório anual, divulgado nesta quinta-feira, 28. Segundo o documento preparado pela organização não governamental que investiga violações de direitos humanos em todo o mundo, as autoridades fluminenses continuam promovendo "um policiamento linha dura", marcado por grandes operações em favelas.

 

O relatório cita uma série de operações policiais que resultaram em grande número de mortes na cidade do Rio, como as ações nas favelas da Coreia, na zona oeste, e Vila Cruzeiro, na zona norte, ambas em abril de 2008, que deixaram 20 mortos.

 

O documento afirma que, apesar do número de homicídios no Rio de Janeiro em 2008 ter sido menor do que o registrado em 2007, a quantidade de mortes causadas por policiais continua elevada, representando aproximadamente 15% do total de mortes violentas no estado.

 

A Anistia Internacional chama a atenção também para a atuação das milícias, que são formadas em grande parte por policiais e que subjugam comunidades carentes no estado do Rio de Janeiro. Para o pesquisador Tim Cahill, responsável pelo relatório sobre o Brasil, o envolvimento de agentes da lei em grupos ilícitos é resultado da política truculenta das autoridades de segurança dos estados.

 

"O resultado final dessa política de repressão e de direitos humanos usada por muitos estados tem sido a consequente criação de grupos criminosos pelos próprios policiais, sejam eles esquadrões de morte, sejam eles as milícias que estamos vendo no Rio de Janeiro", afirma Cahill.

 

O relatório destaca ainda o alto número de mortes pela polícia em São Paulo, em 2008, e a formação de um grupo de extermínio integrado por policiais militares, chamado de "os highlanders", que atua no município de Itapecerica da Serra.

 

Grupos de extermínio continuam também agindo na Região Nordeste do Brasil, em estados como Pernambuco, onde, segundo o relatório, 70% dos homicídios são provocados por esses grupos criminosos.

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