Anistia Internacional denuncia delegacias de BH

A Anistia Internacional divulgou um relatório denunciando torturas e maus-tratos de presos em delegacias de polícia de Belo Horizonte. Um trecho do relatório compara "os horrores descritos? no texto a ?uma obra de ficção medieval?. Entre os problemas enumerados pela Anistia estão a impunidade de suspeitos de tortura, ?agindo há mais de trinta anos?, e uma ?superlotação de 1000%?.Segundo o comunicado, uma delegação da Anistia Internacional visitou a Delegacia de Tóxicos (Divisão de Tóxicos e Entorpecentes) e a Delegacia de Roubos e Furtos (de Crimes Contra o Patrimônio) em outubro de 2001 e encontrou ?condições de superlotação e imundície extremas, falta de assistência médica e provas de corrupção entre os policiais?, que extorquem dinheiro dos presos em troca de ?comodidades básicas?, como alimentos e remédios. "Ainda mais perturbadores são os relatos feitos pelos detentos à organização sobre sessões de tortura com espancamento e eletrochoques, bem como celas de castigo sem janelas, para onde (os presos) são levados após a tortura e onde permanecem despidos, em prisão celular e sem alimento, durante vários dias," informam os membros da delegação, acrescentando que não são estes casos isolados, pois os ?informes de tortura são inúmeros? em delegacias policiais de todo Brasil. A delegação se disse ainda ?alarmada? ao constatar que um policial da Delegacia de Roubos e Furtos teve ?participação comprovada em episódios de tortura? ocorridos em 1969.A Anistia reconhece que o governo brasileiro já lançou uma campanha de âmbito nacional contra a tortura. Mas afirma que "a campanha foi prejudicada por financiamento insuficiente e ausência de estratégia coordenada, tendo exercido um impacto muito limitado sobre a vida dos milhares de detentos submetidos a tortura e maus-tratos em todo o Brasil".

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