ANJ repudia ameaça de Collor a jornalista

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou ontem as ameaças feitas pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) ao jornalista Hugo Marques, da revista IstoÉ. Segundo o site da revista, em ligação telefônica ao repórter, na quinta-feira, o senador afirmou: "Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara." Logo depois, Collor proferiu alguns palavrões.

LEANDRO COLON, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Para ANJ, a postura do senador revela "destempero e truculência". "É inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas a ponto de reagir a notícias - no caso factuais e baseadas em informações da Justiça Eleitoral", diz a associação em nota assinada pelo seu vice-presidente, Júlio César Mesquita, responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão. "Atitude tanto mais condenável por se tratar de cidadão que já exerceu os mais altos postos da República", ressalta a entidade.

Collor é candidato a governador em Alagoas. A ANJ destaca a importância do comportamento dos candidatos. "No momento em que se inicia mais uma campanha eleitoral, a ANJ espera que, a exemplo da imensa maioria do eleitorado, que tem se comportado com civilidade eleição após eleição, também os candidatos ajam com espírito democrático, decoro e respeito às instituições e às liberdades."

A ameaça de Collor ao jornalista foi divulgada na quinta-feira. Ontem, o diretor de Núcleo da revista, Mário Simas Filho, afirmou que a IstoÉ endossa a nota da ANJ. "Damos todo o apoio ao repórter. A revista entende que é um absurdo o que aconteceu e defende a postura do jornalista", disse.

Na nota, a ANJ pede apuração sobre a postura do senador alagoano. "A ANJ insiste junto às autoridades competentes para que assegurem a plena vigência dos princípios constitucionais de liberdade de expressão e promovam a imediata apuração dos eventuais abusos, assim como o devido processo legal nos casos comprovados de atropelos aos referidos princípios." O Estado tentou falar com Collor ontem, procurando-o no gabinete em Brasília, na sede da Gazeta de Alagoas, da qual é sócio, e por meio de assessores. Mas o senador não respondeu.

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