Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Ano da França no Brasil quer aprofundar 'diálogo entre países'

Comemoração contará com cerca de 300 eventos que vão acontecer do Amapá ao Rio Grande do Sul

Roberta Pennafort, de O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 20h13

O Ano da França no Brasil foi aberto nesta terça-feira e prosseguirá até o dia 15 de novembro, com a realização de cerca de 300 eventos que vão acontecer do Amapá ao Rio Grande do Sul. O ministro da Cultura, Juca Ferreira e a ministra da cultura e comunicação da França, Christine Albanel, disseram  que a programação tem como objetivo "o aprofundamento do diálogo entre os dois países". "Esperamos a reaproximação da França com o Brasil. Nas últimas décadas, houve um certo esmaecimento da presença francesa. "Quando eu era menino, nos anos 50, Edith Piaf e Charles Aznavour tocavam no rádio", disse Ferreira.

 

O Ano da França no Brasil acontece em retribuição ao Ano do Brasil na França, celebrado em 2005. Na ocasião, mais de 15 milhões de espectadores franceses compareceram aos eventos brasileiros. A ideia é mostrar "a França inteira no Brasil inteiro" , com exposições de arte, palestras, apresentações musicais, encontros acadêmicos e econômico-comerciais.

 

A princípio, seriam cerca de 600 eventos, mas o número foi reduzido por causa da crise financeira mundial. A França está investindo 15 milhões de euros, entre recursos públicos e privados. Grandes empresas como a Renault, a Air France e a PSA Peugeot Citroen participam. O Brasil está gastando R$ 8 milhões. Entre os patrocinadores brasileiros, estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e os Correios.

 

A ministra francesa lembrou os valores comuns entre os dois países, como "o apreço aos direitos humanos e uma visão multipolar das relações internacionais". Ela ressaltou que seu País é "aberto" ao comentar o aumento no número de brasileiros repatriados no aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaule (entre janeiro e março, o número de viajantes barrados no setor de imigração triplicou).

 

"Ouvi falar, mas não li nada específico sobre isso. Isso é estritamente uma aplicação das regras do tratado de Schengen (convenção entre países europeus sobre uma política de livre circulação de pessoas na Europa). Temos mais de 4 mil estudantes brasileiros na França e gostaríamos de ter muito mais", disse Christine.

 

A programação do Ano da França no Brasil tem como tônica aprèsentar não só a cultura clássica francesa, mas também a contemporânea. Foram priorizados projetos que rendessem frutos para as populações locais. O comissariado francês responsável pela seleção e recebeu mais de 1.500 propostas. O anúncio oficial foi feito em dezembro de 2008 pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que deverá voltar ao Brasil em setembro. A comemoração da data da Independência brasileira será em homenagem à França.

 

SHOW

 

Apesar da forte chuva, o show pirotécnico a cargo do Groupe F estava confirmado para começar às 20 horas, com duração de 30 minutos, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Os franceses são os mesmos responsáveis pelo espetáculo visto pelos parisienses na virada do milênio, quando a Torre Eiffel foi toda iluminada por fogos, e também pela abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas, de 2004.

 

O grupo começou os preparativos para a festa no Rio há dois anos, período em que seu diretor, Christophe Berthonneau, veio à cidade seis vezes - tudo para que o carioca conhecesse um show "bem diferente dos fogos de Copacabana" (que costuma durar por volta de 15 minutos), conforme foi prometido por ele, com "menos barulho e mais beleza". "É um dos maiores espetáculos que já fiz", repetiu ele em entrevistas recentes.

 

Ouro Preto

 

A cidade histórica de Ouro Preto, a 95 quilômetros de Belo Horizonte, foi palco nesta manhã da pré-abertura do Ano no França Brasil, num evento marcado por uma grande produção artística, mas ao mesmo tempo por críticas de moradores e turistas que reclamaram das dificuldades de acesso à Praça Tiradentes, local da solenidade. A tradicional celebração de 21 de Abril deste ano teve como o lema oficial "Liberdade, ainda que tardia", em referência aos 220 anos da Revolução Francesa e da Inconfidência Mineira.

 

A praça no centro histórico da antiga Vila Rica foi enfeitada com as cores das bandeiras do Brasil e da França. Um dos pontos altos da solenidade foram as execuções dos hinos francês, a Marselhesa - interpretado pela cantora Bibi Ferreira, de 86 anos -, e brasileiro, cantado pelo grupo Ponto de Partida, da cidade mineira de Barbacena.

 

A data especial fez com que autoridades francesas fossem contempladas com as principais honrarias da solenidade, criada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitscheck. A cerimônia ficou marcada nos últimos anos pela pompa e o grande número de agraciados.

 

(Com Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo)

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