ANP lacra tanque de combustível adulterado em SP

Mais uma interdição ocorreu hoje em Paulínia (SP), em blitz promovida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Os fiscais da ANP lacraram um tanque contendo 830 mil litros de combustível adulterado na distribuidora Atlas. A adulteração foi constatada em análises feitas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As blitze da ANP tiveram início na segunda-feira, com apoio da Polícia Civil da cidade. Nos cinco dias, foram interditados cinco tanques de combustíveis, em quatro distribuidoras, contendo 3,2 milhões de litros de gasolina irregular. Nesses casos, foi identificada mistura ilegal de solvente.A fiscalização lacrou os tanques em que estava o combustível adulterado das empresas Transo, Exxel, Bremen e Atlas, que foram autuadas pela ANP. Na Transo, vistoriada na terça-feira, foi encontrado 1,8 milhão de litros de gasolina com solvente. Na quarta foi lacrado um tanque da Exxel, com 550 mil litros adulterados. A Bremen armazenava 36,4 mil litros de gasolina "batizada". Além de interditar dois dos cinco tanques, a ANP lacrou a empresa, porque estava operando sem autorização. A Atlas, visitada hoje, tinha 830 mil litros de combustível adulterado. Segundo o delegado titular de Paulínia, Tadeu Aparecido Brito de Almeida, foram instaurados dois inquéritos e outros três deverão ser abertos nos próximos dias. Dois diretores das empresas autuadas, da Transo e da Exxel, foram presos em flagrante, e soltos após pagarem fiança. "Hoje não houve flagrante porque não havia nenhum diretor na empresa. Eles decidiram todos tirar folga nesta semana", ironizou o delegado. Almeida afirmou que a operação da ANP em Paulínia continuará nas próximas semanas, mas não revelou detalhes para não atrapalhar as blitze. Ele lembrou que a Polícia Civil de Paulínia também continua investigando o desaparecimento 7,4 milhões de litros de combustível, que teriam vindo para a cidade para serem exportados para a Bolívia, mas desapareceram.A gasolina, procedente da Refinaria de Manguinhos, do Rio de Janeiro, estava sob responsabilidade da Thork Importadora e Exportadora. A empresa informou que encaminhou o material para duas distribuidoras de Paulínia, a Exxel e a Álamo, por questões operacionais, antes de exportá-lo. A Álamo afirmou à polícia que o combustível foi levado para a Transo, que negou e alegou que não teria sequer espaço físico para armazená-lo. A Exxel confirmou o recebimento de 700 mil litros, mas explicou que os devolveu à Thork. Almeida suspeita de um esquema de sonegação de impostos e afirmou que irá rastrear o combustível desaparecido. O delegado não descartou a possibilidade de a gasolina adulterada interditada pela ANP ser a mesma que sumiu entre o Rio e Paulínia. Ele disse que o caso continuará sendo investigado pela Polícia Civil de Paulínia e que, se for necessário, acionará a Polícia Federal e o Ministério Público.

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