Antes de aceitar, Jobim negou convite outras duas vezes

Waldir Pires resistiu no cargo desde o início da crise aérea, deflagrada pelo acidente com Boeing da Gol

Vera Rosa e Christiane Samarco , Estadão

25 Julho 2007 | 20h26

Depois de recusar duas vezes o convite do Palácio do Planalto, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, cedeu aos insistentes apelos presidenciais e tomou posse nesta quarta-feira, 25, no cargo de ministro da Defesa com ordem e liberdade para mudar tudo o que for necessário e resolver, de uma vez por todas, a crise aérea.   Alertado por Lula de que o ministério "tem muitos problemas", Jobim respondeu: "É, eu sei que, na prática, esse ministério não existe". Esse diálogo aconteceu na noite de terça-feira, no Planalto, quando Jobim recebeu o convite formal para assumir o cargo.   Sexto titular do Ministério da Defesa, criado em 1999 com a missão de integrar as três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica), Jobim substitui Waldir Pires, que se mantinha fragilizado no posto desde a queda do avião da Gol, há praticamente dez meses. Sua situação ficou insustentável após o acidente com o Airbus da TAM, terça-feira da semana passada, que deixou 199 mortos.   O novo titular da Defesa só mudou de idéia e aceitou a "missão" de comandar a pasta depois de ser convencido pelos amigos Gilmar Mendes, do STF, e Sigmaringa Seixas, ex-deputado do PT , de que não se tratava de um convite, mas de uma convocação para resolver uma questão de Estado.   "Venha com o espírito preparado. É uma briga", disse Lula, ao dar posse a Jobim, numa referência à necessidade de reestruturar o Ministério da Defesa. "Você assumirá com todas as forças para fazer as mudanças que precisar fazer, onde precisar fazer."   Como Jobim é filiado ao PMDB, seu ingresso no governo significa, em tese, que o partido ganha o sexto ministério na Esplanada. Na verdade, porém, a escolha do peemedebista teve caráter pessoal, e o PMDB não foi sequer comunicado do convite.   'Bernardo escapou por pouco'   Mesmo sem a interferência do partido aliado, não foi uma negociação fácil e quem sai perdendo, na prática, é o PT. Como a última investida de Lula para convencê-lo fracassara, na semana passada, o presidente foi forçado a preparar um plano B. A alternativa do governo seria deslocar o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para o lugar de Waldir Pires. "Você escapou por pouco", disse Lula a Bernardo na noite de terça-feira, confessando que já havia alertado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deixasse seu secretário-executivo Nelson Machado em alerta, porque ele poderia assumir o Planejamento.   Lula queria uma solução rápida para dar respostas à sociedade depois da tragédia ocorrida com o avião da TAM, no último dia 17. Tudo estava praticamente acertado para uma solução caseira, diante da dificuldade do Planalto em encontrar um nome de fora, e com prestígio, para assumir o ministério em momento tão delicado.

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