Antes de apreensão, micro de acusado desaparece

Policiais encontram em casa de médico, cujo filho é acusado de abuso, apenas monitor e modem; para juíza, ação aumenta as suspeitas

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

21 Fevereiro 2009 | 00h00

Um médico, cujo filho é acusado de pertencer à rede de pedofilia de Catanduva (SP), driblou ontem a Polícia Civil e sumiu com o computador de sua casa - uma mansão onde crianças seriam filmadas, fotografadas e molestadas - pouco antes de os agentes entrarem para cumprir o mandado de apreensão do equipamento."Encontramos apenas o monitor e o modem, que ainda estavam ligados. A CPU não estava no local", contou a delegada Rosana Vanni, responsável pelo inquérito que investiga o caso. Os donos não estavam na residência quando a polícia entrou, mas os empregados disseram que a máquina fora levada para manutenção numa oficina. A Polícia Civil vai investigar agora se realmente o computador está em alguma oficina da cidade e como a notícia vazou para que o médico retirasse o computador antes da chegada dos agentes.Para a juíza da Infância e da Juventude de Catanduva, Sueli Juarez Alonso, o sumiço do computador só aumenta as suspeitas contra o médico e o seu filho. "Uma pessoa que não tivesse nada a esconder não ia retirar o computador num momento desses", declarou a juíza.A quadrilha de pedófilos de Catanduva, além de filmar, fotografar e molestar as crianças, teria obrigado as vítimas a usar drogas - há relatos de um menino de 7 anos que chegou a cheirar cocaína antes de ser submetido a sessões de abuso.As imagens serviriam para alimentar uma rede de pornografia infantil - anteontem, a Polícia Civil fez diligências numa lan house onde as próprias crianças acessariam as imagens de colegas nuas e apreendeu 15 máquinas e cerca 5 mil CDs, além de capas com imagens de pedofilia. As máquinas apreendidas estão em poder do Instituto de Criminalística para perícia.REVISTA NA MANSÃOA casa do médico, que fica no Jardim do Bosque, também passou por perícia, feita na quarta-feira. "Peritos fizeram fotos do local para comprovar se é o mesmo descrito pelos menores. O que nós constatamos é que existe uma piscina com figuras de golfinhos. As crianças relataram a existência de golfinhos que jorrariam água", declarou a delegada.Rosana também revelou que aumentou o número de pessoas acusadas de pertencer à rede. Agora são sete, entre eles, o filho do médico, um empresário, o filho de um comerciante e também um adolescente, além do motorista do empresário e de dois jovens.Os sete, segundo a delegada, deverão estar com outros homens, numa fila para reconhecimento das crianças. O reconhecimento foi marcado para a próxima quinta-feira. Ontem, a juíza Sueli Alonso marcou o tratamento das 23 crianças arroladas no primeiro inquérito, que terá início na próxima quarta-feira. Antes disso, porém, ela pretende conversar com todas as mães de crianças abusadas para obter mais detalhes sobre a situação das famílias atingidas pela ação dos pedófilos.

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