Antes de escândalo, Dilma já planejava mudar Casa Civil

Petista não quer ministro com superpoderes, como atualmente, mas de perfil mais técnico e gerencial do que político

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Dilma Rousseff (PT) pretende mudar o modelo da Casa Civil, se for eleita presidente. Já antes do escândalo que derrubou Erenice Guerra, Dilma já dizia que as atribuições da Casa Civil devem ser mais bem distribuídas entre os ministérios. No diagnóstico da candidata, a pasta precisa coordenar projetos do governo, e não confeccionar propostas.

O formato da Casa Civil planejada por Dilma não prevê um ministro com superpoderes, como no governo Lula. Nada de sombra à vista. Para a sucessora de José Dirceu - o todo poderoso que foi abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005 -, a assessoria da Presidência deve ser muito mais gerencial e técnica do que política.

Chefe da Casa Civil de junho de 2005 a março deste ano, Dilma costuma dizer que o acúmulo de atividades na pasta a fazia sentir como na corrida do "Rali Paris-Dakar". Foi por causa do perfil técnico que Dilma pediu ao presidente Lula, ao deixar o cargo para disputar o Planalto, há cinco meses e meio, a nomeação de Erenice, então secretária executiva da Casa Civil.

A qualidade vista pela candidata, porém, não impediu a crise quando o filho de Erenice, Israel Guerra, foi acusado de intermediar negócios de empresas privadas com o governo. Segundo a revista Veja, havia um esquema de pagamento de propina em dinheiro vivo que abastecia funcionários da Casa Civil.

O tráfico de influência ultrapassou as fronteiras da Esplanada com a descoberta de que Erenice também mantinha uma rede de parentes apadrinhados no governo do Distrito Federal e em repartições da União.

Diante dos escândalos envolvendo a Casa Civil, é provável que Carlos Eduardo Esteves Lima - ministro interino que substituiu Erenice - permaneça até o fim do governo. Seria uma "solução caseira" para segurar a crise a duas semanas da eleição.

Com ou sem mudanças agora, o fato é que, em eventual gestão Dilma, o PT deverá continuar no comando do Ministério, apesar do apetite do PMDB, cada vez mais de olho na vaga.

Palocci. Perde força a hipótese de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e um dos principais coordenadores da campanha, assumir a Casa Civil, se a petista vencer a eleição. O vaivém de Palocci nos planos de Dilma, porém, não tem qualquer relação com a resistência de José Dirceu, que não quer ver o colega em sua antiga sala.

Até mesmo Lula avalia que Palocci, também defenestrado por um escândalo, não se encaixa no perfil da Casa Civil desenhado pela candidata e pode ser reabilitado na cena política em outro ministério, da área social, como Saúde ou Educação. Nesse cenário, Paulo Bernardo (Planejamento) iria para a Casa Civil.

Para quem manifesta estranheza com a alternativa, Lula lembra que o concorrente do PSDB à Presidência, José Serra, ficou bem mais conhecido depois de dirigir o Ministério da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, entre 1998 e 2002. Além disso, Palocci é médico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.