Antes do seqüestro, contas pagas e música

Na manhã de segunda-feira, Lindemberg Alves passou no ABC Plaza Shopping e encontrou amigos da lanchonete Giraffas, de onde foi demitido em outubro do ano passado. Disse a eles que iria pagar contas no banco. Por volta do meio-dia, pouco antes de iniciar o seqüestro que iria durar mais de 100 horas, ouviu música junto com os amigos Robson Muriel e Marcos Aparecido, sintonizados em uma rádio de dance music. "Nós estávamos ?de boa?. Não parecia que ele faria uma loucura", diz Muriel. Amigos há 12 anos e companheiros de trabalho de Lindemberg Alves na casa de comidas árabe Shabab?s, no centro de Santo André, onde são entregadores, Muriel e Aparecido jogavam futebol de várzea no Andreense com Alves, que era o camisa 8. Os amigos do trabalho tentaram convencer Alves de desistir do seqüestro. Os ex-colegas do Giraffas telefonaram para o celular dele. Muriel e Aparecido chegaram a se oferecer como escudo humano para dar a ele segurança para se entregar. O desfecho do episódio deixou todos decepcionados. "Demos todo apoio pra ele e me senti traído. Parece que ajudei a apertar o gatilho", diz Muriel. Depois de trabalhar durante cerca de um ano e meio no Giraffas, Alves foi demitido porque tinha "gênio difícil". Mas não costumava criar problemas aos colegas. "Ele apenas faltava muitos dias e não dava justificativa pelas ausências. Foi isso que causou a demissão", conta. Em março deste ano, Alves processou o restaurante. Em acordo, reverteu a justa causa e recebeu o FGTS.

Bruno Paes Manso e Etienne Jacintho, O Estadao de S.Paulo

20 Outubro 2008 | 00h00

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