Antes mesmo de posse, Lula reúne Jobim e aeroviários

Anunciado como novo ministro da Defesa, peemedebista já participa de reuniões para tratar da crise aérea

Natuza Nery, da Reuters

25 Julho 2007 | 19h58

Antes mesmo de dar posse ao novo ministro da Defesa na tarde desta quarta-feira, 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já reuniu Nelson Jobim com representantes de sindicatos de aeroviários no Palácio do Planalto. A reunião durou pelo menos uma hora. Em outra sala no mesmo prédio, os presidentes da TAM e da Gol eram recebidos pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Planejamento, Paulo Bernardo, para discutir a implementação das novas regras do setor aéreo.   Após dez meses de crise na aviação e depois do maior acidente aéreo do Brasil, Lula anunciou na manhã desta quarta-feira a primeira mudança no time de frente do setor, substituindo o ministro Waldir Pires. As articulações no Planalto agora estão em torno do nome do novo presidente da Infraero, segundo fontes ouvidas pela Reuters.   O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, já teria apresentado um nome para a empresa que administra os aeroportos. Essa indicação ainda depende da palavra final de Jobim, que recebeu autonomia para montar a equipe, também segundo relato de fontes ouvidas pela Reuters, uma delas com acesso direto ao novo ministro.   Novo perfil   Ao anunciar o nome de Jobim, um porta-voz do Planalto afirmou que o presidente queria "um novo perfil para conduzir o Ministério e, particularmente, a crise do setor aéreo". Esse perfil, de acordo com fontes, é híbrido: qualidades de gestor e habilidade de político para atrair mais recursos para a pasta. Na Infraero, o perfil desejado é de um gestor.   O convite a Jobim foi formalizado na noite da última terça-feira, após duas tentativas de trazê-lo para a equipe. A posse deve ocorrer nesta quarta-feira, às 16 horas. Pires e Jobim reuniram-se na manhã desta quarta-feira, no Planalto, com Lula.   Pires enfraquecido   Desde o acidente da Gol, em setembro, que deixou 154 mortos, Pires vinha sangrando à frente da pasta. A oposição pedia a saída do titular da Defesa, mas o presidente o manteve no cargo por respeito à sua biografia e pela ausência de nomes para sucedê-lo. Com o acidente do vôo 3054 envolvendo Airbus A320 da TAM, que deixou cerca de 200 mortos na semana passada em São Paulo, o Planalto resolveu não esperar mais.   Jobim, peemedebista, 61 anos, foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, entre janeiro de 1995 e abril de 1997. Ele também foi presidente do Supremo Tribunal Federal.

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