Antiaborto e a favor da União gay

Vices defendem restrições atuais à interrupção de gravidez, mas o de Marina fala em plebiscito

, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

Houve poucas divergências entre os candidatos a vice em relação a temas como o aborto e a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Michel Temer, vice de Dilma Rousseff (PT), e Índio da Costa, que compõe a chapa de José Serra (PSDB), defenderam a manutenção da legislação atual, que prevê o aborto em casos de estupro ou quando a mãe corre risco de vida. Guilherme Leal, vice de Marina Silva (PV), disse que a candidata é, por convicção religiosa, contra o aborto, mas sugere um plebiscito sobre o tema. "Eu não tenho objeção nenhuma à realização de um plebiscito", concordou Temer.

Os candidatos se disseram a favor da união gay. "Marina Silva é a favor e entende que a palavra casamento é usada como um sacramento religioso, que cada religião deverá determinar o que fazer", ressalvou Leal.

Temer foi o único dos três candidatos a vice a defender, sem ressalvas, o trem-bala entre o Rio e São Paulo.

Leal: A candidata Marina Silva tem sido muito clara, para colocar de forma assertiva sua opinião a respeito da legalização do aborto. Nas suas convicções pessoais, ela se coloca contra o aborto, a favor da manutenção da situação legal existente hoje e, caso a sociedade brasileira entenda que isso deva ser ampliado, que essa situação seja submetida a uma discussão mais ampla. Por ser um tema que comporta diversos aspectos, que seja submetido a um plebiscito. Com relação à união civil estável entre pessoas do mesmo sexo, a candidata é a favor. Ela entende que a palavra casamento é usada como um sacramento religioso. Assim, cada religião deverá determinar o que fazer com relação a isso. Por fim, ela é favorável às pesquisas com células-tronco, mas, pelo desenvolvimento científico com as células-tronco adultas, poderia se evitar neste momento com as células-tronco embrionárias.

Índio: Sou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, por uma questão simples. Num exemplo objetivo, se uma pessoa contribui com as despesas da casa e a outra tem condição de comprar o apartamento, e a dona do imóvel morre, o apartamento vai para o Estado. Quem contribuiu com o bem fica na rua. Por isso, não há razão para não dar, do ponto de vista legal, o direito igual para os casais. Quanto ao aborto, eu sou a favor de manter a legislação como ela é hoje. Não há nenhuma razão para usar o aborto como método contraceptivo. O que tem de se fazer e não está sendo feito é investir muito em educação sexual. Temos jovens de 13, 14, 15 anos fazendo aborto, quando não deveriam sequer estar fazendo sexo. Em relação às pesquisas, sou favorável a todas que possam melhorar a vida das pessoas na Terra.

Temer: Primeiro, com relação ao aborto, somos a favor do direito à vida e de se manter o sistema atual. Mas eu não tenho objeção nenhuma à realização de um plebiscito, por uma razão singela. Acho que temos de praticar mais a democracia direta. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que a terminologia é equivocada. Trata-se de uma relação de natureza civil. Então, diante da nova realidade social do mundo, precisamos ter uma legislação que faça o reconhecimento dessa relação civil. Se as pessoas vão casar, se vão fazer solenidade, não importa. Quanto às pesquisas, também não tenho objeção alguma, se é para garantir a vida dos que estão aqui.

Índio: Não é simples equacionar o problema de transportes nas regiões urbanas. Quanto mais você constrói, mais caro fica. Todas as cidades acima de 500 mil habitantes precisam ter projetos de transporte urbano sobre trilhos. Não é que seja ruim o projeto Rio-São Paulo, é que fica parecido com a história de Belo Monte. Há uma promessa do governo de que será com o dinheiro privado. Mas não tem nenhum cálculo que consiga fechar, apenas com dinheiro privado, R$ 45 bilhões. Com esse dinheiro, podemos fazer mais de 400 quilômetros de metrô pelo País. Além disso, o Banco Mundial não indica que os países em desenvolvimento gastem com esse tipo de obra. Se fôssemos trabalhar nessa área fora do sistema urbano, seria muito mais importante fazer a Transnordestina.

Temer: Não vejo por que abandonar o projeto do trem-bala para realizar o projeto dos metrôs. Eles têm alto custo, mas a gente tem a possibilidade das parcerias público-privadas. Quando vamos aos países europeus, vemos como opera fantasticamente essa malha ferroviária dos trens de alta velocidade. O Brasil começa a pensar grande e não há por que não fazer o trem-bala neste primeiro trecho e, depois, expandir pelo País, fazer malhas em outras regiões.

Leal: O trem-bala é uma ideia muito bonita, está no imaginário da nação há muitos anos, mas acho que nós temos outras prioridades. Dentro da prioridade de direcionar a economia brasileira para uma economia de baixo carbono, o redesenho do transporte urbano é absolutamente prioritário. Nisso, cabe um trem-bala? Se couber, ótimo. Se não couber, não deve ser priorizado. Isso cheira a uma proposta eleitoreira.

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