Antigo prédio do Hilton será usado pelo TJ em SP

Edifício em frente ao Copan foi alugado pelo Tribunal para abrigar 140 desembargadores; Associação Viva o Centro elogiou a iniciativa

Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

Após quase três anos vazio, o antigo prédio do Hotel Hilton, na Avenida Ipiranga, região central de São Paulo, ganhou novo inquilino: será o endereço de cerca de 140 desembargadores de direito público do Tribunal de Justiça. Entidades que militam pela revitalização do centro da capital, como a Associação Viva o Centro, já comemoram a iniciativa do TJ. Ícone arquitetônico, o edifício foi alugado por R$ 670 mil mensais. O contrato foi assinado no dia 12 e tem duração de cinco anos, totalizando R$ 36,1 milhões. Segundo o TJ, foram concedidos 90 dias para a reforma e a mudança. Os quartos do antigo hotel, espaçosos e providos de ante-sala e banheiro, serão transformados em gabinetes. Hoje os inquilinos trabalham no prédio do número 750 da Avenida Paulista de forma improvisada, por causa da falta de espaço. Juntamente com o Copan e o Edifício Itália, o antigo Hotel Hilton compõe um dos mais famosos cartões-postais de São Paulo. Segundo o Departamento do Patrimônio Histórico, há processo aberto de tombamento do prédio, o que garante a proteção até que se decida ou não tombá-lo. Apesar disso, o antigo Hilton não é muito famoso. Não figura nem mesmo entre os exemplares mais importantes de arquitetura moderna da capital nas listas oficiais do gênero. Uma das explicações é o fato de o prédio ser relativamente jovem. Foi inaugurado em 1971. O projeto do edifício é assinado pelo arquiteto Mário Bardelli. Foi o primeiro hotel de cadeia internacional, de alto nível, a ser instalado em São Paulo. Trazia como inovação a oferta de espaços para convenções, teatro e restaurantes. Revestido quase inteiramente de mármore, o prédio tem os primeiros pavimentos ocupando toda a projeção do terreno, onde há restaurantes, entre os quais o London Tavern e o teatro. Sobre essa base foi erguido um elegante edifício cilíndrico. O superintendente da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, sugere aos desembargadores que terceirizem os espaços do térreo para quem queira explorar comercialmente os restaurantes e o teatro. Para ele, esse era um dos maiores trunfos do antigo Hilton e também de onde se percebia melhor o charme do lugar. "Era um espaço muito interessante. Sempre havia convenções, eventos", diz. Ramos de Almeida comemora o aluguel do prédio. "É formidável, ainda mais com um público de alto nível como o dos desembargadores. Realmente a região ganha muito com a vinda deles." O prédio também se encontra em excelente estado de conservação. Par aos urbanistas, isso foi possível graças ao fato de ter como proprietários centenas de pequenos cotistas que formam uma associação.

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