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Antiquário também é assunto de jovem

Galeristas trilham passos dos pais; há quem toque negócio próprio

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Uma geração de jovens donos de antiquários e de galerias tem se destacado no comércio de artes de São Paulo. Em geral, são profissionais que seguem os passos dos seus pais e avós, seja continuando o negócio da família, seja conduzindo seus próprios empreendimentos. Segue nessa trilha, por exemplo, Julio Cesar Candido de Souza Bruço, de 22 anos. Ele vem sendo preparado pelo pai, Marco Antonio de Souza Bruço, de 58 anos, para tocar o antiquário da família, nos Jardins. "A vida dele é respirar antiguidades", afirma o pai, todo orgulhoso. O garoto trancou o curso de Direito. "Nem pretendo retomar a faculdade", anuncia Julio. "Nasci e cresci em meio a obras de arte."

Assim como Julio, pelos menos outros sete galeristas com idade entre 22 e 36 anos rejuvenesceram o Salão de Arte de São Paulo deste ano - cuja a 16ª edição ocorreu em agosto no clube A Hebraica. O evento reuniu 60 expositores. À frente de 14 edições, Vera Lúcia Cacchur Chadad vê com otimismo essa juventude em meio às antiguidades e às obras de arte. "Eu acompanhei o surgimento desses jovens", diz. "Muitos vinham acompanhar seus pais em anos anteriores. Isso passa de pai para filho mesmo."

Arquiteto por formação, Pedro Aguiar trocou a régua e a prancheta pela vida de galerista. Entre os raros projetos que ainda topa fazer está a concepção do próprio Salão, que assina há 11 edições. "Nem encaro a Arquitetura como uma coisa profissional. Para mim, é prazer", diz. Empreendedor, abriu no ano passado uma casa de leilão especializada em colecionismo. Sua galeria, conforme gosta de explicar, é preocupada em "tratar a arte de modo mais mercadológico". "Enxergamos uma brecha. Comercializamos peças que foram adquiridas anteriormente, que já estão no mercado", conta.

Mas mudança radical de ramo mesmo foi a realizada por Carlos Dale Junior, de 32 anos. Depois de exercer a profissão de dentista - ainda é proprietário de uma rede de cinco clínicas -, decidiu voltar às origens familiares e administrar, nos Jardins, a galeria de arte de sua mãe, Ana Dale, se tornando sócio. "No fundo, sempre gostei mais do comércio de arte do que da Odontologia", justifica-se.

O economista e ex-bancário James Acacio Lobo Lisboa, de 29 anos, se tornou galerista em 2004, por acaso - sua empresa fica nos Jardins. "Meu pai sempre trabalhou nessa área (é filho do leiloeiro de arte James Lisboa, de 55 anos)", conta. "Em 2001, criei um site para ele. A demanda passou a ser tão grande que passei a ajudá-lo. Decidi abrir uma galeria."

Desde 2001, quando se formou em Administração, Roberta de Araujo Pereira Lima, de 30 anos, dá um ar mais profissional ao escritório de arte de sua mãe, Hilda Araujo, no Real Parque. "No começo, ela só trabalhava com obras de meu tio (o artista plástico Carlos Araujo)", lembra. "Então ela abriu o leque e passou a atuar com outros artistas." Em seu dia a dia, Roberta procura assessorar quem já é colecionador e quem quer entrar no meio. "Arte não é uma coisa glamourosa", diz. "É uma empresa, um negócio, assim como vender vestido."

E na linha "filho de peixe", há Marcio Gobbi Fernandes, de 32 anos. Desde 2005 ele comanda um antiquário nos Jardins. "Com 12 anos, eu já ajudava meu pai (o artista plástico e escritor Antonio Abel Fernandes, hoje com 60 anos) no antiquário que ele tinha no Bexiga", recorda-se. "Acabei me especializando em quadros."

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