Anúncio cifrado era de fato ameaça, diz a polícia

Os promotores Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), e Silvio Antônio Marques, da Cidadania, disseram nesta sexta-feira que já não têm dúvidas de que a mensagem cifrada, publicada em forma de anúncio em jornais brasileiros no dia 25 de setembro, constituía uma ameaça declarada do ex-homem forte da Construtora Andrade Gutierrez, Roberto Figueiredo do Amaral, ao atual presidente da empresa, José Rubens Goulart Pereira, também conhecido pelo apelido de "Dolly".Os promotores ouviram, por mais de 4 horas seguidas nesta sexta-feira, os depoimentos de Reinaldo Andrade Costa e Ivany Gonçalves Colombo, sócios de Amaral na RV Consultoria e Participações Ltda., empresa que pagou pela publicação dos anúncios.Os dois afirmaram que, na prática, são funcionários de Andrade, mas constam como sócios, com cerca de 1% das cotas, apenas para efeito de registro legal da empresa. "Os depoimentos comprovaram que realmente não se tratou de uma brincadeira", afirmou Mendroni. "A mensagem cifrada era um rompimento público de relações (de Amaral com Pereira), decorrente da falta de uma prestação de contas."Os promotores não divulgaram o conteúdo dos depoimentos. Eles revelaram que os dois depoentes teriam confirmado que a publicação dos anúncios foi feita por determinação expressa de Amaral, que também já foi intimado a depor, mas se encontra em viagem ao exterior.Os advogados de Amaral comunicaram nesta sexta-feira ao Ministério Público que seu cliente deverá depor, a partir do dia 11 de outubro, quando retorna ao Brasil. Os promotores decidiram investigar o teor da mensagem cifrada porque são responsáveis pela investigação de supostas contas em paraísos fiscais do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), que tem o nome citado na mensagem. A mensagem, enviada aos jornais pela RV Consultoria, afirmava: "Roberto Amaral e família comunicam a realização ontem, dia 24 de setembro, de missa de quinquagésimo dia in memorian de José Rubens (Dolly) realizada na Fazenda Guanabira". Pereira é casado com uma sobrinha de Amaral. Os depoimentos desta sexta confirmaram, segundo os promotores, que Pereira teve uma ascensão vertiginosa na Andrade Gutierrez por causa das gestões de Amaral, de quem Dolly era protegido."A relação entre eles era muito próxima, e isso se quebrou por causa de uma prestação de contas, que estranhamente se dá quando Amaral já não fazia parte da empresa", avaliou Mendroni. No dia 24 de setembro, data referida no anúncio, Amaral e Pereira teriam se desentendido, em uma briga na Fazenda Bananal.O texto do anúncio afirma: "Presentes estavam, entre outros, Mr. Swenka, do Banco Helvético Cordier, Gabriel Donato de Andrade e Sérgio Andrade ? donos da empreiteira Andrade Gutierrez. Os donos da empreiteira lideraram, com fervor, o entoar de um salmo em louvor e solidariedade ao Dr. Paulo Maluf e seu filho Flávio, para que terminem as persecutórias agruras que estão enfrentando", diz a nota.

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