Ao final, 15 foram mortos na rebelião em Porto Velho

A Polícia Militar encontrou hoje mais cinco corpos de presos assassinados durante a rebelião no presídio Urso Branco, em Porto Velho. Em cinco dias de motim, encerrado ontem, 15 pessoas foram mortas, algumas delas decapitadas e uma esquartejada na frente de familiares. Apenitenciária, de segurança máxima, foi totalmente destruída. As negociações das autoridades com os presos sóavançaram após a chegada do diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Clayton Alfredo Nunes, na quinta-feira. "Nós tivemos que começar do zero", afirmou o diretor do Depen. "Assumi como a parte técnica da conversa, enquanto que um oficial da Polícia Militar fez a parte de negociador." Segundo Nunes, a tática deu certo e conquistou o respeito dos rebelados, que formaram uma comissão. O acordo foi fechado às 18h de ontem.Selvageria - Dentro do presídio as cenas eram de uma guerra recente. Quase todas as celas foram destruídas e no ar havia cheiro de morte, misturado à fumaça dos colchões queimados nos últimos dias de rebelião. Em uma das caixas d´água as marcas da selvageria: grandes marcas de sangue escorrido lembravam os que foram esquartejados e pendurados.A rebelião mostrou que o Urso Branco, apesar de ser de segurança máxima, era um presídio frágil. Todas as celas que separam os presos da quadra de esportes - também destruída - foram praticamente destruídas, expondo blocos pré-fabricados einstalados com mais areia do que argamassa. O estrago deve ser avaliado em uma semana.Barbárie - Dois dos cinco corpos encontrados hoje, provavelmente de detentos quer estavam no seguro, foram decapitados e um teve parte da pele arrancada. Na segunda-feiraum preso foi esquartejado em frente a centenas de familiares, que acompanhavam o motim do lado de fora. Com mais essas mortes, sobe para 80 o número de assassinatos, em três anos, no Presídiode segurança máxima Urso Branco.

Agencia Estado,

23 de abril de 2004 | 23h12

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