Ao lado de Serra e de Alckmin, Dilma diz ter ''parceria excepcional'' com SP

Em evento com a presença do candidato derrotado ao Planalto, a presidente voltou a enaltecer a relação com o governador ao assinar convênio para a construção do Trecho Norte do Rodoanel; tucano retribuiu afagos citando Mário Covas

Fernando Gallo e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 00h00

Na segunda visita em menos de um mês ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a presidente Dilma Rousseff alimentou a polêmica entre tucanos e petistas ao enaltecer a parceria "excepcional" com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Num momento em que o PT busca uma candidatura forte para disputar a Prefeitura em 2012 como parte da estratégia de derrotar os tucanos no principal bastião da oposição, o Estado de São Paulo, Dilma e Alckmin trocaram elogios públicos e rechaçaram a disputa política. O discurso conciliador de Dilma também lhe cai bem no enfrentamento de instabilidade política atual no Congresso.

O tucano chegou a pegar uma carona no avião presidencial no trecho de 532 km entre Araçatuba, onde os dois se encontraram inicialmente para anunciar investimentos na hidrovia Tietê-Paraná, e São Paulo. No trajeto, ambos se mostraram à vontade e conversaram sobre amenidades.

No Palácio dos Bandeirantes, Dilma elogiou as parcerias com Alckmin e com o prefeito Gilberto Kassab, cujo partido que pretende criar, o PSD, é cortejado pelo Palácio do Planalto para entrar na base governista. Chamou-as de "grande novidade".

"Começamos a fazê-las há mais tempo, em governos anteriores, mas elas progressivamente ganham hoje no Brasil um estatuto de exigência", disse Dilma, para quem Alckmin "tem sido um excepcional parceiro nesses oito meses de governo".

Os dois participaram de cerimônia onde assinaram o convênio para a construção do trecho norte do Rodoanel, anel viário que interliga as principais rodovias paulistas. O governo federal vai contribuir com R$ 1,7 bilhão, pouco mais de um quarto do valor da obra. No mês passado, os dois anunciaram juntos a unificação do Bolsa Família com o programa estadual Renda Cidadã.

"Não é mais possível que tenhamos divergências pessoais ou políticas (como) obstáculos para a realização de investimentos absolutamente imprescindíveis para o desenvolvimento do País", afirmou a presidente.

Alckmin seguiu a linha elogiosa. Para enaltecer a boa relação com Dilma, parafraseou o governador Mário Covas, morto em 2001. "Quando falo em seriedade, não falo em honestidade, vou mais longe do que isso, falo em integridade. Falo na capacidade que cada um tem de se conduzir de forma adequada, em cada circunstância, em cada momento, fazendo com que a política seja colocada num plano superior a cada um dos políticos", declarou o tucano, que completou em seguida: "Ao fazermos isso, contribuímos para a ética na política".

A declaração dos dois foi interpretada pelos presentes como uma admissão de que o clima político-eleitoral chegou a contagiar as relações entre os governos federal e estadual na era Lula. O ex-presidente não se dava bem com Alckmin e manteve relações distantes com José Serra, sempre visto pelo Palácio do Planalto como um presidenciável. Dilma disse, porém, que seu comportamento era legado de Lula, que, segundo ela, deu importância a "parcerias republicanas".

Convidado, Lula não apareceu ao encontro - o ex-presidente não tem ido a agendas oficiais de Dilma. Serra, que não havia comparecido à cerimônia do mês passado, foi ao evento.

Apesar do discurso de união administrativa, a parceria entre os dois é vista com cautela nos respectivos partidos. Há setores do PT que avaliam ser estrategicamente ruim para o partido firmar projetos com os tucanos, que acabariam beneficiados eleitoralmente pelas iniciativas.

No PSDB nacional, também há críticas à atitude de Alckmin, que, com a aproximação, esvaziaria o discurso de oposição ao PT.

Investimento. Além de assinar o convênio para construção de trecho do Rodoanel, a presidente também firmou com Alckmin um protocolo de intenções para investimentos de R$ 1,5 bilhão na hidrovia Tietê-Paraná. O governo federal vai arcar com a maior parte do valor da obras: R$ 900 milhões. Dilma também disse colocar o governo federal "à disposição" de Alckmin para tratativas sobre a construção do trecho norte do Ferroanel, anel ferroviário que acompanharia, a 30 metros, o traçado do Rodoanel.

Dilma aproveitou a presença de tucanos e citou números positivos da economia. Também ressaltou outras parcerias envolvendo o governo paulista, como os investimentos federais no Porto de Santos, a futura concessão dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos e o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida 2, cuja parceria será anunciada em outubro.

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