ONOFRE VERAS/AGÊNCIA O DIA
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Ao longo de 24 horas, aeroporto Santos Dumont fica quase 9 horas fechado

Nesta segunda e terça-feira, 14 e 15, 38 voos precisaram ser desviados para o Aeroporto Internacional do Galeão, distante quase 20 km do Santos Dumont

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2014 | 18h03

RIO - O mau tempo no Rio tem causado transtornos aos passageiros que tentam desembarcar na cidade pelo Aeroporto Santos Dumont. Desde segunda-feira, 14, o trânsito aéreo é monitorado por aparelhos. Em pouco mais de 24 horas de funcionamento (entre 6h e 23h desta segunda, e entre 6h e 13h desta terça-feira, 15), o aeroporto ficou fechado por nove horas. Neste período, 38 voos precisaram ser desviados para o Aeroporto Internacional do Galeão, distante quase 20 km do Santos Dumont.

Nesta terça, foram três horas e meia (das 6h às 9h30) de fechamento para pousos e seis voos alternados para o Galeão. Desde então, o Santos Dumont, funciona por aparelhos para pousos e decolagens. Na manhã de segunda, foram três suspensões de pousos, durante uma hora e trinta e seis minutos (8h15 a 8h27; 8h40 a 9h33; 10h13 a 10h40). À tarde, novas suspensões de pousos e decolagens: das 13h às 14h07 e das 17h22 às 19h48 (com retomada das decolagens) e 20h05 (quando os pousos também foram retomados).

Especialista em transporte aéreo, o professor de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Respício Espírito Santo, afirmou que a localização do Santos Dumont, na entrada da Baía de Guanabara, é a principal causa de tantos fechamentos. Ele lembrou que em dias de muita nebulosidade, também há pouca visibilidade na Ponte Rio-Niterói, que fica na entrada da baía.

"Não falta tecnologia no Santos Dumont e as tripulações estão sendo treinadas (para usar novos aparelhos), mas o problema é o entorno. A entrada da Baía de Guanabara é uma área muito instável em questão meteorológica", disse.

No início deste ano, o aeroporto recebeu uma nova tecnologia de balizamento de voos via satélite que permite uma aproximação mais rápida para a pista de pouso, reduz o tempo de voo e a duração dos fechamentos do Santos Dumont em função de condições climáticas em até 90%. Sem essa tecnologia, a quantidade de voos desviados para o Galeão poderia ter sido bem maior.

Barcas. A Secretaria de Estado de Turismo do Rio (Setur) tenta implantar uma linha experimental de barcas para ligar o Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte, ao centro do Rio pela Baía de Guanabara durante a Copa do Mundo. Segundo o secretario Cláudio Magnavita o tempo de deslocamento será, em média, de 15 minutos entre a Ilha do Governador e a Praça XV ou a Marina da Glória (o local ainda não foi definido). Nesta terça, o trajeto entre o centro e o aeroporto feito de carro leva mais de uma hora.

A intenção é que o serviço comece a ser oferecido somente para os passageiros do Galeão até cinco dias antes do início do Mundial, em 12 de junho, e termine cinco dias após o encerramento dos jogos, em 13 de julho. Pelo caráter emergencial não será necessário fazer uma licitação neste momento.

O projeto não é novo. Há cerca de 15 anos a companhia aérea Varig tentou implementar a medida, sem sucesso. Com a proximidade da Copa e das Olimpíadas, a Setur tenta adiantar o projeto previsto no novo Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), da secretaria de Estado de Transportes. Além desta, outras 11 linhas hidroviárias poderão ser implantadas com o PDTU para transportar a população.

A Setur ainda busca empresas interessadas em operar a linha Galeão-Centro. "Não se pode estabelecer um trabalho de afogadilho com relação a isso. Estamos pleiteando uma antecipação para fazer testes. Essa é uma tentativa de estabelecer uma operação que é plenamente viável", afirmou Magnavita. Tanto a Infraero, na Ilha do Governador, quanto as operadoras da Marina da Glória e da Praça XV (que recebe barcas do Cocotá, na Ilha do Governador; Niterói e Paquetá) já concordaram com a nova operação.

Para o professor Espírito Santo, é importante melhorar os serviços de transportes e deslocamento nos dois aeroportos cariocas. "Se as concessões tivessem sido há quatro anos, muitas melhorias já teria sido implantadas, talvez já tivéssemos ligações com as barcas e muitos outros serviços, mas demora um tempo para termos serviços de qualidade".

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