Ao menos 20 são presos por exploração de caça-níqueis

Servidores públicos, policiais civis, militares e federais participam do esquema

estadão.com.br,

29 Fevereiro 2012 | 07h38

atualizado às 13h54

SÃO PAULO - Ao menos 20 pessoas foram presas nesta quarta-feira, 29, entre elas Carlos augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, um dos chefes da quadrilha especializada em explorar máquinas caça-níqueis em cinco estados. As prisões aconteceram durante a Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, com auxílio da Receita Federal.

 

Os agentes estão cumprindo 35 mandados de prisão, 37 de busca e apreensão, além de dez ordens de condução coercitiva (para tomada de depoimento), nos estados de Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Tocantins e Espírito Santo e no Distrito Federal.

 

O grupo, segundo a PF, operava há mais de 17 anos com a conivência de algumas autoridades de segurança pública, em pontos em Goiânia e Valparaíso de Goiás, e contavam com a ajuda de agentes de segurança pública, que atuavam mediante o pagamento de propina. Eles davam suporte ao funcionamento das casas do grupo, seja não realizando ações interventivas, seja comunicando os criminosos sobre trabalhos dos órgãos de persecução no enfrentamento à organização, especialmente para que as casas e máquinas caça-níqueis fossem transferidas de local.

 

Os responsáveis pela operação informaram que em um dos livros de contabilidade havia dados de pagamento de propina e que um soldado chegava a ganhar R$ 200 por dia de trabalho para a quadrilha e recebia ainda a gasolina para fazer a ronda. Segundo a Agência Brasil, eles também informaram que o valor da propina variava de acordo com o cargo da pessoa. Um delegado da Polícia Civil chegava a receber R$ 4 mil por mês.

 

Durante a investigação, que durou cerca de 15 meses, foram identificados como integrantes do grupo criminoso infiltrados na área de segurança pública dois delegados de Polícia Federal de Goiânia, seis delegados da Polícia Civil de Goiás, três tenentes-coronéis, um capitão, uma major, dois sargentos, quatro cabos e 18 soldados da Polícia Militar de Goiás, um auxiliar administrativo da Polícia Federal em Brasília, um policial rodoviário federal, um agente da polícia civil de Goiás e um agente da polícia civil de Brasília, um sargento da Polícia Militar de Brasília, um servidor da Polícia Civil de Goiás, um servidor da Justiça Estadual de Valparaíso de Goiás.

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