Ao TSE, Erenice nega intenção de 'atingir a honra' de Serra

Defesa apresentada pelos advogados da ex-ministra diz que ela foi 'execrada' por toda a imprensa brasileira

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Apesar de ter qualificado o tucano José Serra de "aético e candidato já derrotado" à Presidência dois dias antes de deixar a Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra alegou na defesa que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) jamais ter tido a intenção de atingir a honra do presidenciável do PSDB.

Serra abriu processo contra Erenice, solicitando que seja multada, porque a ex-ministra atribuiu ao tucano a fonte das notícias sobre a montagem de um esquema de tráfico de influência na Casa Civil por parte de Israel Guerra, de quem é mãe, e cobrança de propina de empresários.

A nota foi divulgada no dia 16 do mês passado, no blog oficial do Governo, o Blog do Planalto, com os ataques a Serra. Dois dias depois, com o aumento das denúncias e das suspeitas que pesavam sobre ela, Erenice foi demitida da Casa Civil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não concordou com os termos da nota divulgada pela ex-ministra, por julgar que em vez de pacificar os ânimos da campanha, acirravam-nos.

Defesa. Os advogados da ex-ministra, Sebastião Tojal, Sérgio Renault e Jorge Henrique de Souza, afirmam que eventuais expressões mais firmes ou contundentes utilizadas por Erenice devem ser compreendidas no bojo do momento histórico e político em que se inserem. Eles alegaram que ela tinha sido "execrada, indiciada e já condenada por toda a imprensa brasileira".

Neste cenário, disseram, "nem o mais pusilânime dos seres não reagiria de forma de forma firme contra as inverdades e injustiças a que estava sendo exposto, notadamente quando tem uma história de vida dedicada ao serviço público". Eles tornaram a insistir que Erenice nunca teve por objetivo "imputar ao candidato (Serra) a responsabilidade pelas inverdades lançadas nos meios de comunicação".

Em sua defesa, Erenice alegou ainda que não utilizou a máquina pública para divulgar a nota em que procurou se defender e a seus familiares, usando para tanto a página oficial do Palácio do Planalto. De acordo com ela, o fato de a nota ter sido divulgada pelo Blog do Planalto deveu-se ao fato de, como funcionária pública que era, ter a necessidade de prestar contas do que fazia à sociedade e a seus superiores.

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