Aos 35 anos, Metrô ganha memoriais

Como parte das comemorações, serão criadas exposições fixas em 15 estações de bairros históricos da cidade

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

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O Metrô de São Paulo, transporte público subterrâneo mais antigo do País, completa hoje 35 anos da sua primeira viagem - iniciada às 14 horas de 14 de setembro de 1974, num trajeto sul-norte de 7 quilômetros, entre as Estações Jabaquara e Vila Mariana. Ao longo daquele ano, o sistema que recebe hoje 3,3 milhões de passageiros por dia teve frequência diária de 2,5 mil pessoas - na Saúde, cuja frequência é de 32 mil pessoas por dia, apenas 117 passageiros circulavam nos vagões, moradores do então afastado bairro da zona sul. Contrastes que demonstram, mais do que crescimento da cidade, a importância adquirida pelo sistema, principal esperança do transporte na caótica metrópole.

Como parte das comemorações do aniversário, além da promessa de continuar o plano de expansão, a Secretaria de Transportes Metropolitanos vai homenagear os bairros da cidade - há 20 dias, abriu licitação para instalar 15 memoriais em estações de bairros históricos, como Ipiranga, Mooca e Lapa. Nos espaços, haverá painéis com fotografias e depoimentos em vídeos sobre a história dos bairros e seu papel no desenvolvimento da cidade.

As obras - com valor estimado em R$ 1,5 milhão por espaço, custeadas por empresas interessadas em anunciar nos locais - devem começar em dezembro, com previsão de término para março de 2010. Fotografias inéditas da instalação do metrô nos bairros da capital - desde a primeira linha, a norte-sul (atual Linha 1-Azul), cuja construção teve início em 1968 e terminou seis anos depois -, como as que ilustram esta página, também serão expostas nos memoriais.

"É parte da meta de integrar o metrô com a cidade. Se no plano de expansão queremos possibilitar ao passageiro morador do Tucuruvi (zona norte) que passeie à tarde na Guarapiranga (extremo sul), também gostaríamos que essas pessoas pudessem conhecer a cidade dentro das estações", disse o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Em estações cujos nomes batizam times de futebol (Corinthians-Itaquera, Palmeiras-Barra Funda, Portuguesa-Tietê, Santos-Imigrantes e a futura São Paulo-Butantã), haverá museus sobre os times.

Na memória dos primeiros trabalhadores, que também serão homenageados hoje, histórias hoje impossíveis - como o trabalho com os shields (tatuzões) semiautomáticos, que exigiam companhia de escavadores, a abrir caminho lentamente para as máquinas. "Levava dois anos para percorrer 400 metros", lembra o técnico de obras Oliveiros Sertori, de 61 anos, funcionário do Metrô desde 1968. "Ver as máquinas rasgando o centro da cidade, levando as pessoas até locais distantes, era fantástico, uma obra nunca vista. Devemos celebrar essa evolução."

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