Aos 40 anos, Mocidade é só alegria

Nada de bocejos, olheiras e cansaço. Se depender da Mocidade Alegre, este ano a apresentação do Grupo Especial vai acabar em sorrisos e gargalhadas. A última escola a entrar no sambódromo na madrugada de sábado para domingo promete contagiar o público com o enredo "Posso ser inocente, debochado e irreverente... Afinal, sou o riso dessa gente". Serão 3.200 componentes mostrando os dentes e tentando provar que alegria é contagiante. "O samba é bom, é contagiante e a gente se preparou o ano inteiro para fazer uma apresentação campeã", diz o diretor Cultural, Sidney França. A rainha da bateria, Nani Moreira, também está entre os trunfos da escola do Bairro do Limão, na Zona Norte. Em 2007, a escola pentacampeã tem mais um motivo para tentar outro título. Em setembro completa 40 anos de história. Nesta semana, no último ensaio, a confiança em um belo desfile foi tão grande que muitas pessoas choraram no prédio alugado, na Avenida Casa Verde. Em 2006, a agremiação ficou em terceiro lugar, apenas 0,25 ponto atrás das duas primeiras, Império e Vai Vai. O universo infantil vai abrir o desfile. No primeiro setor chamado de "A Magia do Riso Inocente", um carro abre-alas com 56 crianças deve lembrar fábulas e contos de fada. "O riso é uma das primeiras experiências de vida. Ele é responsável por dar início à interação da criança com o mundo ao seu redor", explicou o carnavalesco Zilkson Reis. Os maiores especialistas em risadas virão logo em seguida, no setor "Sob a Lona do Picadeiro, o Riso em Cena!". Além do tradicional vestuário, a escola pretende contar um pouco da história do circo e dos palhaços, malabaristas, contorcionistas e trapezistas. Já os truques mágicos deverão ficar de fora. "Vamos fazer uma festa tradicional", explica França. Quando a arquibancada já estiver familiarizada com o enredo da Mocidade, deve passar o carro "As Chanchadas Revelam ao Mundo um Jeitinho Brasileiro de Fazer Sorrir", que exalta a maneira como o País do Carnaval lida com situações difíceis. Carmem Miranda, Dercy Gonçalves e Mazzaropi serão homenageados. O carro seguinte "Sátira Brasil - Uma Zorra Total" fala da capacidade de achar graça na própria desgraça. "A criatividade do nosso povo é tanta, que a gente leva o nosso cotidiano difícil para a televisão e acha graça", explica o carnavalesco. Serão homenageados programas como TV Pirata. Por fim, o desfile fará uma homenagem ao próprio Carnaval. Foliões e Rei Momo vão representar a festa que para a Mocidade é a maior "explosão de alegria". "Nenhuma festa é capaz de apresentar uma quantidade tão grande de sorrisos", conclui Reis. Avô e neto Da ala das crianças à Velha Guarda, a família de Benedito Cláudio dos Santos, 60 anos, terá 15 representantes no desfile da Mocidade Alegre. "A escola e minha família hoje são uma coisa só", diz. Tapeceiro, ele transforma a oficina em ateliê de fantasias nessa época do ano. "Participo em tudo que precisar. A responsabilidade da Velha Guarda é muito grande." Além de tarefas, Benedito colabora com a memória. Há 35 anos na escola, lembra de quando não havia sequer asfalto no Bairro do Limão e os ensaios eram feitos no meio do barro. "Tenho muito orgulho da Mocidade, temos uma presença muito grande da comunidade e eu sou prova de que é uma escola de família", afirma. Participam do desfile sua irmã, filhos e netos. O neto mais novo, Augusto César, de 7 anos, vai desfilar na ala das crianças no final da apresentação.

Agencia Estado,

15 Fevereiro 2007 | 10h33

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