Aos 6 anos, PSOL tem votações expressivas

Partido foi destaque no Rio, onde elegeu dois de seus três deputados federais; no Senado, legenda conquistou duas cadeiras - tinha uma

Rafael Moraes Moura, Elder Ogliari, Alcinéa Cavalcante e Carlos Mendes, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2010 | 00h00

O PSOL elegeu dois senadores no domingo - tinha 1. A bancada na Câmara continua do mesmo tamanho, com 3 deputados. Mas, em Estados como o Rio, o partido teve votação expressiva. No Distrito Federal, o candidato do PSOL repetiu o "efeito Marina" da eleição nacional e levou a disputa pelo governo para o segundo turno entre o PT e o PSC.

Ao completar seis anos de fundação, o PSOL reelegeu o deputado federal Chico Alencar com 240 mil votos - segunda maior marca do Rio. A legenda emplacou no Estado dois de seus quatro deputados estaduais e dois de seus três deputados federais. Para a Câmara, o desempenho surpreendente de Alencar permitiu que o PSOL elegesse o candidato Jean Wyllys (vencedor do Big Brother Brasil 5), com apenas 13 mil votos. Em São Paulo, Ivan Valente foi reeleito com 189 mil votos.

Ex-integrante do PT, Alencar viu seu eleitorado dobrar em quatro anos. Em 2006, recebeu 119 mil votos. "Foi surpreendente e até comovente. Pensei que as campanhas dos milhões iam predominar e que nos elegeríamos com muita dificuldade, mas ainda há uma parcela da população atenta e com discernimento."

O PSOL também foi um coadjuvante de primeira linha na Assembleia do Rio. O deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da CPI que investigou a ação das milícias no Rio, foi o segundo candidato mais votado do Estado, com 177 mil votos - em 2006, ele havia sido eleito com 13 mil. Com o índice, a legenda elegeu também a Janira Rocha, com 6 mil votos.

"Nem o mais otimista da nossa campanha poderia imaginar uma votação dessas. Foi um reconhecimento do mandato e do enfrentamento que decidimos fazer. No lugar de fazer um voto de protesto tolo e irresponsável, o Rio agiu de outra maneira", afirmou Freixo, que recebeu ameaças de morte de milicianos.

No Senado. No Amapá, o PSOL o elegeu o senador mais jovem do País. Aos 36 anos, Randolfe Rodrigues foi o mais votado no Estado e deixou para trás políticos experientes, como o ex-governador e ex-senador João Capiberibe (PSB) e os senadores Gilvam Borges (PMDB) e Papaléo Paes (PSDB).

Randolfe teve 203.259 votos (38,24%), quase o dobro do segundo colocado, Gilvam Borges, com 121.015 votos. Ele liderou no Amapá o movimento dos "caras-pintadas", que exigiu o impeachment de Fernando Collor. "Agora vamos nos encontrar no Senado, mas aviso que continuo com os mesmos ideais de quando eu era cara-pintada."

A outra vaga do PSOL no Senado ficou, por enquanto, com Marinor Brito, do Pará, que obteve 727.583 votos. A ex-vereadora se beneficiou da Lei da Ficha Limpa, na qual a Justiça Eleitoral se baseou para impugnar as candidaturas de Jader Barbalho (PMDB) e Paulo Rocha (PT), que tiveram mais votos do que ela. Como o Supremo Tribunal Federal ainda não julgou a aplicação da Ficha Limpa já, a vitória de Marinor ainda é provisória.

"Onda amarela e vermelha". Enquanto no plano nacional o "efeito Marina" rompeu o tom plebiscitário das eleições e empurrou a decisão para o segundo turno, o candidato Toninho do PSOL desempenhou no Distrito Federal papel semelhante: em uma disputa polarizada entre os aliados de Joaquim Roriz (PSC) e Agnelo Queiroz (PT), Toninho angariou votos de brasilienses decepcionados com ambos, vestiu a bandeira da "terceira via", compensou o curto tempo na TV com a presença em debates e terminou a campanha com 14,25% dos votos válidos (199.095).

Toninho diz que vai anular o voto no segundo turno. "É um voto de protesto pela situação do DF. Não tenho identidade nem com o projeto de Agnelo e muito menos com o da Dona Weslian (mulher de Roriz)", disse.

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