Aos 76 anos, presidente do IAB morre atropelado

Joaquim Guedes estava licenciado para concorrer à Câmara

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2008 | 00h00

O presidente licenciado do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Joaquim Manoel Guedes Sobrinho, de 76 anos, morreu atropelado anteontem à noite, quando atravessava a rua em frente ao prédio onde morava há mais de 20 anos, na Avenida Nove de Julho, zona sul. Eram 20 horas quando ocorreu o acidente. O motorista do automóvel, que seria uma Pajero cinza, não parou para prestar socorro. A polícia vai analisar hoje a fita gravada pela câmera do edifício, além de gravações de semáforos da região, cedidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), para obter mais pistas sobre o motorista. "Neste primeiro momento, trabalhamos com a hipótese de atropelamento, mas vamos checar todas as possibilidades, inclusive de assassinato", disse o investigador Carlos Vidal Lopes, do 15º Distrito Policial do Itaim-Bibi, onde a ocorrência foi registrada. Moradores de edifícios vizinhos acionaram o resgate. O arquiteto e professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP foi levado ainda com vida para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu. De acordo com Sérgio Ricardo Marconatto, porteiro do prédio do arquiteto, o barulho foi percebido pela vizinhança. "Ouvi um estrondo muito forte e uma brecada. Até achei que a colisão tinha sido com outro carro", diz. "O curioso é que a pista sentido Cidade Jardim é tranqüila aos domingos." Há pouco mais de um mês, Joaquim Guedes pediu afastamento da presidência da seção São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil para concorrer a uma vaga de vereador pelo Partido Popular Socialista (PPS). A presidência do IAB-SP era um sonho antigo, que ele realizou em dezembro, com uma eleição conturbada. A Chapa 1, que estava na presidência havia três gestões, desclassificou a maioria dos núcleos do interior do Estado, alegando documentação irregular e inadimplência. A Chapa 2, com Guedes à frente, entrou na Justiça e derrubou todas as liminares, tornando os núcleos aptos para a votação. "A sua principal bandeira era descentralizar a diretoria da IAB-SP, que ficava restrita à capital, aumentando a participação de arquitetos", diz a presidente interina, Rosana Ferrari. "É uma grande perda. Guedes era fundamental na formação de sucessivas gerações de arquitetos", diz Mônica Junqueira de Camargo, professora da FAU-USP e autora da biografia Joaquim Guedes. "A arquitetura de Guedes privilegia o usuário, a dimensão humana, para melhorar o convívio em São Paulo." A maior parte de sua obra é formada por residências, como as projetadas para o então casal Eduardo e Marta Suplicy e Valdo Perseu. Ele também foi responsável pela Igreja da Vila Madalena e pelo restauro do Tuca. Guedes planejou as cidades de Carajás (PA), Marabá (PA), Barcarena (PA) e Caraíba (BA), durante o ciclo da mineração, nos anos 1970, e foi professor na Escola de Arquitetura de Estrasburgo, na França.

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